A influenciadora e pré-candidata a deputada federal Manuella Tyler (PSB-BA) refutou publicamente as declarações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que alegou ter ganho um processo judicial movido por ela. A ação foi instaurada após o bolsonarista divulgar um vídeo onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece tirando uma foto com Manuella, conteúdo que, segundo a influenciadora, foi manipulado para desferir ataques contra Lula e a primeira-dama Janja da Silva, além de provocar uma onda de agressões nas redes sociais.
Manuella destaca que a versão apresentada por Nikolas é incorreta. “O processo está em andamento e apenas começou”, declarou.
“Um indeferimento de liminar não é sinônimo de vitória. O pedido urgente foi negado, mas o processo ainda está em seus primeiros passos. Haverá audiência, coleta de provas e julgamento, e estou certa de que aqueles que fazem política baseada em ataques e mentiras terão que responder por suas ações.”
Liminar recusada, mas caso avança
No último domingo (3), o 6º Juizado Especial Cível de Brasília decidiu apenas sobre o pedido de tutela de urgência, negando assim a retirada imediata do conteúdo impugnado antes da análise completa do processo.
O juiz considerou que não havia elementos suficientes naquele momento para justificar uma ação imediata, como risco de danos irreparáveis. Contudo, isso não implica que o conteúdo tenha sido considerado legal ou que o caso esteja encerrado.
O despacho enfatiza que a ação continua seu trâmite regular e haverá audiência de conciliação, produção de provas e julgamento do mérito.
Vídeo provocou desinformação e ataques
O incidente teve origem em um vídeo feito durante um evento do Partido dos Trabalhadores, no qual Lula aparece interagindo com Manuella. Em determinado momento, Janja interrompe a conversa para lembrar ao presidente sobre cuidados necessários após sua cirurgia de catarata.
Nikolas Ferreira reinterpretou essa cena, insinuando que a primeira-dama estaria sentindo “ciúmes” da interação entre Lula e a influenciadora.
“E o medo de perder as viagens de luxo?” comentou o bolsonarista ao compartilhar a imagem em suas redes sociais.
Conforme Manuella, essa interpretação distorcida fomentou diversos ataques nas redes sociais, incluindo questionamentos sobre sua identidade de gênero e mensagens hostis.
A influenciadora, identificada como mulher trans, afirma que se vencer o processo, destinará o valor da indenização para instituições voltadas ao apoio de pessoas trans em situação vulnerável.
“Registre mais uma fake news na conta do Nikolas Ferreira”, disse Manuella em um vídeo. “Ele declarou ter vencido um processo contra mim e isso não é verdade.”
Mobilização contra os ataques recebidos
Após a divulgação do vídeo, Manuella relata ter sido alvo de uma onda de comentários agressivos e desinformação.
“Criaram uma narrativa falsa dizendo que a esquerda perdeu mais um processo para Nikolas Ferreira, o que não corresponde à realidade”, afirmou. “O juiz apenas agendou uma audiência de conciliação e negou temporariamente um pedido urgente.”
Ela também ressaltou que a situação traz à tona questões mais amplas relacionadas à violência política e ao discurso odioso.
“A disseminação de fake news é criminosa; assim como a violência política baseada em gênero e a transfobia”, declarou.
https://x.com/ManuellaTyler/status/2051085992031871386
Judiciário ainda analisará o caso
Com a recusa da liminar, o processo avança agora para a fase instrutória. Essa etapa envolve tentativas de conciliação entre as partes, coleta de provas e eventual julgamento final.
Manuella expressa confiança quanto ao resultado da ação e reafirma seu propósito em responsabilizar práticas fundamentadas na desinformação.
(“Nosso intuito é conquistar essa indenização e direcionar esse montante para instituições que apoiam outras pessoas trans em situações vulneráveis”, afirmou.)
Dessa forma, a decisão judicial até aqui não representa triunfo para nenhum dos lados — trata-se apenas do início de um processo cujo desfecho ainda será avaliado pela Justiça.
