Nesta terça-feira (26), a Polícia Federal (PF) lançou a Operação Insider com o intuito de desmantelar um esquema de fraudes bancárias voltado contra a Caixa Econômica Federal em São Paulo. A ação envolveu o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em quatro cidades do estado, visando um grupo que, conforme as investigações, conseguiu desviar mais de R$ 2 milhões de contas de clientes, contando com a colaboração de uma ex-funcionária terceirizada da instituição. A iniciativa foi motivada por uma denúncia formal da Caixa à PF, ocorrida em dezembro de 2025, que relatava irregularidades na emissão de cartões e transações anômalas.
Detalhes da Operação Insider
A Operação Insider teve início na manhã desta terça-feira (26) em Campinas, com ações simultâneas realizadas nas cidades de Campinas, São Paulo, Franco da Rocha e Santo André. Os policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão, emitidos pela 9ª Vara Federal de Campinas, como parte de uma estratégia coordenada para coletar evidências que possam fortalecer o andamento das investigações.
No decorrer das buscas, foram apreendidos computadores, celulares e documentos que agora serão analisados pela PF. O principal objetivo é reunir provas suficientes para identificar todos os membros do grupo e rastrear o fluxo do dinheiro desviado. A escolha dessas quatro localidades como alvos simultâneos sugere que o esquema operava em múltiplos pontos, abrangendo diversas áreas na região metropolitana e no interior paulista.
Como funcionava o esquema
As investigações revelam que o funcionamento do esquema dependia do acesso privilegiado aos sistemas internos da Caixa Econômica Federal. O grupo realizava o cancelamento dos cartões bancários dos correntistas e providenciava novas vias sem notificar as vítimas. Para ativar os novos cartões, era necessário desbloqueá-los; nessa etapa entrava a ex-funcionária terceirizada que facilitava as movimentações fraudulentas através desse acesso indevido.
Essa prática resultou em um prejuízo estimado superior a R$ 2 milhões, afetando cerca de 30 correntistas da Caixa. O caso evidencia uma vulnerabilidade persistente no controle de acesso por funcionários terceirizados a sistemas sensíveis das instituições financeiras públicas: a segurança se fragiliza quando indivíduos com credenciais legítimas colaboram com grupos criminosos. A PF está investigando os crimes relacionados à fraude bancária, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Andamento da investigação
A apuração teve início em dezembro de 2025, quando a própria Caixa Econômica Federal comunicou formalmente à Polícia Federal sobre a emissão irregular de cartões e transações suspeitas nas contas dos clientes. Assim, o banco foi proativo ao identificar as irregularidades e acionar as autoridades competentes, levando ao inquérito que culminou na operação realizada nesta terça.
Com os materiais coletados durante as buscas, os investigadores agora se concentram em duas frentes: descobrir outros possíveis envolvidos no esquema ainda não alcançados pelas ações até então realizadas e rastrear os destinos finais dos recursos desviados — etapa crucial para elucidar o crime relacionado à lavagem de dinheiro. Informações como o número exato de detenções durante a operação e a identidade da empresa terceirizada vinculada à ex-funcionária aguardam confirmação oficial por parte da PF.
