Na terça-feira (3/11), ocorrerá a renovação total das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, que é análoga à Câmara dos Deputados no Brasil. Os cidadãos se dirigirã às urnas para participar das midterms, conhecidas como eleições de meio de mandato, realizadas na metade do período presidencial de quatro anos.
Além da votação para a Câmara dos Representantes e uma parte do Senado, as midterms também abrangem a escolha de governadores estaduais e outros cargos públicos. Essa eleição será crucial para definir a configuração do Congresso americano e influenciar a capacidade do presidente Donald Trump em implementar sua agenda política.
Os republicanos ocupam o controle das duas casas desde as eleições de 2024, mas possuem uma maioria estreita na Câmara, o que torna essa disputa particularmente significativa.
Nos Estados Unidos, diferentemente do Brasil, os deputados federais não são eleitos por um sistema proporcional de lista aberta. Em vez disso, a eleição ocorre em distritos eleitorais específicos, onde cada distrito escolhe um representante.
Mecanismos das eleições
As midterms, ou eleições de meio de mandato, são realizadas a cada quatro anos, intercaladas com os pleitos presidenciais e ocorrem exatamente no meio do mandato presidencial.
A cada dois anos, toda a Câmara dos Representantes é renovada, juntamente com cerca de um terço das cadeiras do Senado. Em 2026, estarão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas no Senado.
Na Câmara, os mandatos dos deputados duram dois anos, enquanto no Senado os senadores têm um período de seis anos. Para garantir uma renovação parcial da Casa Alta a cada eleição federal, as cadeiras são divididas em três grupos.
A representação na Câmara dos Representantes é proporcional à população de cada estado; portanto, estados mais populosos têm maior número de representantes. Após a alocação das 435 cadeiras entre os estados, cada um organiza seus distritos eleitorais para que cada distrito eleja um representante para um mandato de dois anos.
<spanDessa forma, os eleitores não escolhem todos os candidatos da Câmara nacionalmente; eles votam apenas na disputa referente ao seu distrito específico. Por exemplo, quem reside em Nova York vota para selecionar o representante do seu próprio distrito congressional, enquanto um eleitor californiano participa de uma eleição diferente correspondente à sua localidade.
No entanto, no Senado, cada estado possui direito a eleger dois senadores independentemente da sua população. Isso significa que a representação no Senado é igualitária entre os estados, ao passo que na Câmara dos Representantes ela é baseada na quantidade populacional.
Os distritos eleitorais são áreas geográficas definidas dentro de cada estado para facilitar a eleição dos representantes. Cada distrito pode escolher apenas um deputado para integrar a Câmara.
A demarcação dos distritos leva em conta o tamanho populacional e busca assegurar que todos tenham quantidades semelhantes de habitantes. Estados com apenas uma cadeira na Câmara, como Wyoming, realizam a escolha de seu representante em nível estadual sem precisar dividir o território em múltiplos distritos.
A delimitação dos limites distritais é feita pelos próprios estados seguindo suas regras locais. Geralmente, esses mapas são revisados após o resultado do Censo geral realizado a cada dez anos, podendo alterar tanto o número de representantes quanto a distribuição populacional.
Seleção dos candidatos
Antes das eleições gerais em novembro, há processos nos quais partidos e eleitores selecionam seus candidatos. O método mais conhecido nesse contexto é a eleição primária realizada em datas específicas estabelecidas por cada estado.
A votação pode ser feita presencialmente ou pelo correio conforme as normas locais. Todos os estados oferecem ao menos a opção de votação presencial no dia marcado e muitos também disponibilizam locais para votação antecipada.
Cada estado tem suas regras sobre o voto pelo correio: alguns permitem que qualquer eleitor habilitado solicite uma cédula postal; outros exigem justificativas ou enviam automaticamente as cédulas aos eleitores registrados. Os prazos para solicitar e devolver essas cédulas variam conforme a legislação local.
Nas eleições para a Câmara, geralmente aplica-se o sistema de maioria simples ou sistema distrital uninominal. Isso significa que cada distrito escolhe um representante e vence aquele candidato que obtiver o maior número de votos válidos sem necessidade de maioria absoluta.
Cada estado também deve escolher dois senadores; porém as disputas ocorrem em ciclos distintos devido à duração dos mandatos serem de seis anos e ao fato do Senado passar por uma renovação parcial a cada bienalidade. Em 2026 haverá 35 cadeiras disponíveis nessa Casa.
A contagem dos votos segue os procedimentos estipulados por cada estado embora haja legislações federais que regulam aspectos desse processo eleitoral.
No geral, resultados preliminares começam a ser divulgados assim que os locais de votação encerram suas atividades em horários variados conforme região e estado.
No pleito anterior em 2022, por exemplo, foi necessário mais de uma semana para que a Associated Press proclamasse os republicanos como vencedores da disputa pela Câmara.
Ainda que o foco nacional esteja voltado para o controle do Congresso e suas implicações sobre o governo Trump, as midterms também envolvem eleições para governadores em 36 estados americanos bem como nos territórios não-estaduais como Guam e Ilhas Virgens Americanas.
