Neste domingo (9), residentes da comunidade Quitungo, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro, relataram avistamentos de drones sobrevoando a área. Um vídeo gravado por um morador registra o momento em que um dos veículos não tripulados solta um artefato explosivo, resultando em uma explosão.
Um homem foi ferido durante o ataque e, após receber atendimento no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, já recebeu alta. Inicialmente, nenhuma das forças policiais havia sido acionada para atender à ocorrência.
Um dos habitantes da região conseguiu filmar o incidente, que se tornou uma prova clara de uma tática já reportada em outras áreas do Rio: o uso de drones para lançar granadas seguidas de explosões.
A tensão ficou evidente na comunidade após os eventos com os drones, com relatos de múltiplos aparelhos presentes no céu durante o incidente.
Reação das autoridades e contexto da violência
A resposta das autoridades ao ataque revela uma falha na comunicação: a Polícia Militar (PM) informou que o 16º BPM (Olaria) não foi notificado sobre a situação. A Polícia Civil, por outro lado, relatou que não houve registro formal na 38ª DP (Brás de Pina), mas iniciou investigações e intensificou o patrulhamento na área para esclarecer o caso.
A região do Quitungo é controlada pelo Comando Vermelho (CV). Consoante informações divulgadas, traficantes associados ao Terceiro Comando Puro (TCP), provenientes do Complexo de Israel, estariam por trás dos ataques com drones e explosivos na localidade, em meio a uma disputa territorial intensa.
Precedentes e escalada do uso de drones
O episódio ocorrido no Quitungo não é único. O emprego de drones para lançar explosivos em comunidades cariocas tem se tornado cada vez mais comum nos últimos meses, sinalizando uma alteração significativa nos padrões de violência armada da cidade.
No dia 1º de agosto, moradores do Dourado, em Cordovil, relataram que um drone lançou uma granada durante uma festa de rua, atingindo levemente duas crianças. Em julho, o Esquadrão Antibomba da Core encontrou indícios compatíveis com explosivos improvisados lançados por drones em Curicica.
A sequência desses incidentes indica uma evolução nas táticas dos grupos criminosos, que estão adotando tecnologia civil como parte de suas estratégias nas disputas territoriais.
Para os habitantes das comunidades afetadas, essa nova realidade traz riscos significativos e evidencia a incapacidade das forças de segurança em lidar efetivamente com essa ameaça emergente.
