A iniciativa suprapartidária Quilombo nos Parlamentos, promovida pela Coalizão Negra por Direitos, contabilizou a eleição ou posicionamento de 41 candidaturas nas eleições de 2026, conforme os resultados atualizados em 5 de outubro. A nova bancada é composta por deputados federais, estaduais e distritais oriundos de diferentes partes do Brasil, resultado da mobilização que uniu mais de 100 candidaturas em torno de uma proposta política focada na luta antirracista e na ampliação dos direitos da população negra.
Expansão da representação negra no legislativo
Dentre as 41 candidaturas que foram eleitas ou estão em vagas parciais, 16 correspondem à Câmara dos Deputados, enquanto 23 se dirigem às Assembleias Legislativas estaduais e duas à Câmara Legislativa do Distrito Federal. Esse resultado reflete um crescimento significativo em comparação ao início da iniciativa: em 2022, apenas oito candidaturas apoiadas pelo Quilombo nos Parlamentos conseguiram assento na Câmara Federal. Quatro anos depois, esse número duplicou.
Entre os eleitos destacam-se Erika Hilton (PSOL-SP), que obteve 1,59 milhão de votos, e Paula Nunes da Bancada Feminista (PSOL-SP), além de Jones Manoel (PSOL-PE), Fábio Felix (PSOL-DF), Renata Souza (PSOL-RJ), Dani Balbi (PCdoB-RJ), Macaé Evaristo (PT-MG), Anielle Franco (PT-RJ), Dani Portela (PT-PE), Olívia Santana (PCdoB-BA), Talíria Petrone (PSOL-RJ) e Vilma Reis (PT-BA). A nova bancada está presente em 14 estados e no Distrito Federal, com maior concentração nas regiões do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais.
Força eleitoral e compromisso social
As candidaturas apoiadas pelo Quilombo nos Parlamentos acumularam juntas mais de 22 milhões de votos para os cargos na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas em todo o Brasil. Esse expressivo número demonstra a abrangência da mobilização e a relevância de uma agenda que conquistou apoio em diversas regiões.
Outro aspecto notável é a composição da bancada: das 41 candidaturas vitoriosas, 27 são mulheres — sendo 25 cis e duas trans — e 14 homens cis. Essa configuração representa um avanço significativo na representação das mulheres negras nos espaços legislativos do Brasil. A Coalizão Negra por Direitos destaca que os eleitos assumem um compromisso formalizado em manifesto do movimento, que visa fortalecer a agenda política antirracista, defender a democracia e ampliar os direitos da população negra.
Compromissos futuros e apoio político
Douglas Belchior, historiador e cofundador da Coalizão Negra por Direitos, enfatiza que o impacto vai muito além dos números. “A democracia brasileira só se tornará verdadeiramente representativa quando os espaços de poder refletirem a diversidade do país. Essas lideranças eleitas reforçam o projeto político brasileiro que busca confrontar desigualdades, combater o racismo, expandir direitos e promover mudanças reais na vida da população”, afirmou.
A Coalizão Negra por Direitos atribui o êxito eleitoral à organização do movimento negro que decidiu ocupar espaços políticos relevantes. Além disso, reafirmou seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como parte do compromisso com o fortalecimento democrático no país.
