A terminologia “pato-manco” pode parecer inusitada quando utilizada nas reportagens políticas, mas sua origem remonta a séculos passados. Conhecida no inglês como lame duck, a expressão refere-se a políticos que se aproximam do final de seus mandatos ou que perderam influência e poder, especialmente aqueles que não têm mais chances de continuar no cargo.
Recentemente, o termo voltou a ser mencionado em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante seu segundo mandato na Casa Branca, ele se prepara para as eleições legislativas de novembro de 2026, enfrentando interrogações sobre sua popularidade e o risco de perder o apoio majoritário no Congresso.
A origem da expressão
A expressão lame duck surgiu no século XVIII na Inglaterra. Inicialmente, era usada no contexto financeiro para descrever comerciantes que não conseguiam cumprir com suas obrigações financeiras.
A metáfora associava-se a um pato ferido, incapaz de se mover adequadamente e portanto vulnerável. Com isso, o termo passou a simbolizar indivíduos em situações financeiras precárias, sem condições de atender suas responsabilidades.
Com o passar do tempo, a expressão ampliou seu uso além do universo econômico e começou a ser aplicada também na política. A partir da década de 1830 nos Estados Unidos, lame duck veio a designar políticos prestes a deixar seus cargos, seja por não terem sido reeleitos ou por optarem por não concorrer novamente.
Além disso, o termo passou a referir-se a governantes que, apesar de ainda ocuparem formalmente suas posições, já não possuíam a mesma capacidade de influência e articulação nas decisões políticas.
A implicação do termo na política
No contexto político americano, um lame duck é um político eleito que permanece em sua posição mesmo após saber que não continuará nela ao final do seu mandato.
Isto pode ocorrer quando um presidente perde uma eleição, mas ainda precisa cumprir os meses restantes até a posse do novo líder. O mesmo se aplica a parlamentares que foram derrotados nas urnas ou que decidiram não buscar reeleição.
A expressão não implica que o político tenha perdido automaticamente todos os seus poderes institucionais. Enquanto continuar no cargo, ainda exerce as funções estabelecidas pela Constituição. A diferença reside na influência política: sem expectativa de novo mandato, pode encontrar dificuldades para negociar e formar alianças e persuadir outros legisladores a apoiarem sua agenda.
No Congresso dos EUA, existe uma frase específica chamada lame duck session, que se refere às sessões realizadas após as eleições legislativas em novembro e antes da posse dos novos parlamentares em janeiro.
A situação de Trump como exemplo
Donald Trump iniciou seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos em janeiro de 2025. De acordo com a 22ª Emenda à Constituição americana, ninguém pode ser eleito para o cargo presidencial mais do que duas vezes. Portanto, ele não terá a chance de concorrer novamente em uma eleição presidencial convencional.
Dessa forma, esse cenário já posiciona Trump como um presidente em seu último mandato, sem possibilidade de reeleição. Contudo, os resultados das eleições legislativas de 2026 podem afetar significativamente sua habilidade de governar.
Nessas eleições, os americanos irão eleger todos os 435 membros da Câmara dos Representantes e parte do Senado. Se os democratas obtiverem maioria em uma ou ambas as Casas, Trump enfrentará um Congresso menos favorável ao seu governo.
Isto poderá complicar a aprovação de legislações, a negociação orçamentária e as confirmações para cargos importantes. Uma maioria democrata também poderá intensificar a fiscalização sobre o Executivo e instaurar investigações acerca da administração republicana.
Dessa forma, os últimos dois anos do mandato de Trump podem se transformar em um período caracterizado por maior isolamento político.
