No início da noite deste domingo, um episódio de violência e abuso de autoridade marcou a votação no Distrito Federal. O que deveria ser uma ação de solidariedade a uma idosa de 92 anos, que não conseguiu votar, acabou se transformando em uma situação grave na quadra 415 da Asa Norte, em Brasília.
Helena Bustamante, uma arquiteta de 29 anos, foi a pessoa afetada pela ação violenta. Ao observar que os policiais impediam a idosa de entrar na seção eleitoral após o horário permitido, ela decidiu intervir em sua defesa. A resposta das forças de segurança foi desproporcional: Helena foi atingida por spray de pimenta diretamente no rosto, algemada e levada à força para o compartimento traseiro de uma viatura.
Essa abordagem agressiva foi filmada e acompanhada por uma equipe do Correio Braziliense, que estava presente no local para cobrir os eventos eleitorais. Os jornalistas registraram o momento em que o gás foi disparado contra Helena e seguiram toda a situação até a chegada à 5ª Delegacia de Polícia.
Relato de tortura e humilhação durante a detenção
Após ser liberada sob a condição de assinar um termo de ocorrência, Helena compartilhou com a imprensa os momentos angustiantes vividos enquanto estava sob custódia. Ela afirmou que os policiais ignoraram suas reclamações sobre dificuldades respiratórias provocadas pelo gás em um ambiente fechado.
O relato impactante da arquiteta
“Fui algemada, recebi spray de pimenta e me colocaram dentro de um camburão. Antes que a porta fosse fechada, avisei que não conseguia respirar… Vi os policiais rindo enquanto isso acontecia e então fecharam a porta… Durante o trajeto até a delegacia, aceleravam nas curvas para me fazer bater a cabeça dentro do camburão. Em determinado momento, pararam o carro e perguntaram se eu estava conseguindo respirar; eu disse que não… Então abriram um pouco a porta para eu tentar respirar… Aproveitei essa oportunidade para deixar claro que faria uma denúncia por abuso de poder e pela abordagem agressiva.”
As manobras arriscadas realizadas pelo veículo em alta velocidade são conhecidas entre as vítimas como “roleta russa”, tendo como objetivo causar ferimentos ao corpo contido no espaço confinado. O relato da arquiteta também enfatiza o desprezo demonstrado pelos oficiais diante do seu sofrimento respiratório, reforçando as alegações de grave desvio de conduta e abuso por parte dos agentes públicos.
Investigação e ações institucionais
A jovem ficou detida por aproximadamente uma hora na delegacia da Asa Norte sob a acusação formal de desacato, um termo frequentemente usado para criminalizar cidadãos que questionam abusos cometidos por autoridades. Após prestar depoimento ao delegado, ela foi liberada.
Esse incidente reacende discussões sobre o uso excessivo da força pela Polícia Militar do Distrito Federal, especialmente em relação aos civis e defensores dos direitos humanos durante períodos eleitorais. Helena anunciou sua intenção de denunciar formalmente os responsáveis aos órgãos competentes, incluindo a Corregedoria e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), para que sejam apuradas as responsabilidades criminal e administrativa dos policiais envolvidos na agressão.
Assista ao vídeo:
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