A UEFA está intensificando suas ações para pressionar Gianni Infantino, presidente da FIFA, a renunciar ao cargo, especialmente após o insucesso da proposta de permitir investimentos privados na Copa do Mundo. O jornal britânico The Independent revelou que o dirigente suíço está enfrentando um crescente descontentamento entre federações nacionais e confederações continentais.
Conforme destacado pela publicação, o apoio político a Infantino diminuiu desde que a FIFA decidiu abandonar seus planos de privatizar o torneio. Em resposta a essa situação, líderes europeus e de outras regiões estão se mobilizando para garantir que o presidente não chegue fortalecido para as eleições previstas para março de 2027.
Retirada de apoio
O periódico informa que País de Gales e Finlândia já iniciaram a retirada das cartas de apoio que haviam enviado à candidatura de Infantino para um novo mandato, uma ação que pode ser replicada por outras associações nacionais. A Federação Inglesa (FA) também estaria considerando retirar seu apoio ao presidente.
Ainda segundo o jornal, tanto a UEFA quanto a Concacaf estão trabalhando para neutralizar uma das principais táticas políticas usadas por Infantino para conquistar apoio: a promessa de aumentar os repasses financeiros às federações. As entidades alegam que esses recursos deveriam ser distribuídos com base na lucratividade da Copa do Mundo e avaliam ações legais para contestar as propostas da FIFA.
Uma carta da UEFA endereçada ao presidente da FIFA foi citada pelo Daily Telegraph, na qual a confederação europeia menciona que está “avaliando ativamente medidas judiciais, arbitragem e/ou reclamações regulatórias” em relação ao plano financeiro proposto pela entidade máxima do futebol.
Além disso, antes da Copa do Mundo, várias federações nacionais relataram ter sido pressionadas a enviar cartas apoiando a continuidade de Infantino no cargo. Essa pressão resultou no envio de aproximadamente 200 manifestações de apoio; no entanto, muitas dessas associações agora estão revisitando sua posição e preparando-se para retirar seu respaldo.
Após o abandono do projeto de privatização, Infantino declarou sua intenção de reunir novamente as partes interessadas para discutir maneiras de fortalecer o futebol global.
“Nos próximos dias e semanas, pretendo reunir todos os interessados com um espírito comum pelo nosso esporte e visando seguir promovendo o desenvolvimento do futebol em todo o mundo, especialmente nos países que mais necessitam do nosso apoio”, afirmou.
Distribuição financeira
Entretanto, críticos interpretaram essa declaração como uma tentativa de proteger sua base política através do aumento dos repasses financeiros às federações nacionais.
Em contrapartida, a UEFA anunciou sua intenção de apresentar uma proposta alternativa utilizando a estrutura já existente do programa FIFA Forward para redistribuir verbas.
“Precisamos começar a utilizar parte dos fundos parados na conta bancária da FIFA para fornecer o impulso necessário ao futebol base e ao esporte em geral em cada um dos 211 países afiliados à entidade. Não é preciso vender nossos ativos valiosos para financiar isso”, declarou a confederação europeia em um comunicado.
A Concacaf também defendeu que os recursos acumulados pela FIFA sejam redistribuídos através do programa FIFA Forward sem modificar o modelo financeiro vigente da entidade.
Cenário político desafiador
Por trás das câmeras, aliados de Infantino reconhecem que ele enfrenta um momento delicado politicamente. Uma fonte consultada pelo jornal comentou que após a proposta de usar as reservas financeiras da FIFA para aumentar os investimentos no futebol, “não sei quais opções ainda restam para Gianni”.
Além da perda de suporte entre as federações, Infantino pode ter que lidar com disputas judiciais. A carta enviada pela UEFA solicita à entidade que preserve todos os documentos e registros eletrônicos relacionados ao plano de privatização, indicando que ações legais podem ser consideradas caso o assunto avance.
