A modificação no traçado de uma rodovia federal que cruza a zona rural de Currais Novos, na região do Seridó, no Rio Grande do Norte, poderá impactar significativamente a maior mina de ouro em desenvolvimento no estado, abrindo espaço para uma nova área de extração.
Um acordo firmado entre a Cascar Brasil Mineração Ltda., que é uma subsidiária da Aura Minerals e responsável pelo Projeto Borborema, e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) prevê a realocação do trecho da BR-226. Essa mudança visa ampliar a área de exploração aurífera da empresa.
Conforme os termos do acordo, caberá à Aura Minerals a responsabilidade pela elaboração dos projetos necessários, além do financiamento das obras e das indenizações ligadas ao impacto ambiental decorrente da intervenção.
O Projeto Borborema se destaca como um empreendimento de mineração com investimentos que alcançam cerca de R$ 1 bilhão destinados à infraestrutura. Trata-se de uma mina a céu aberto com uma capacidade projetada que pode atingir aproximadamente 83 mil onças de ouro anualmente na fase plena.
A previsão de reservas lavráveis deverá ser elevada para cerca de 670 mil onças troy de ouro, o que equivale a aproximadamente 20,8 toneladas — um aumento significativo de 82% em relação às estimativas anteriores.
Além disso, as novas projeções elevam as reservas prováveis do projeto para 1,48 milhão de onças, totalizando cerca de 46 toneladas contidas, com um teor médio estimado em 1,13 grama por tonelada.
Para fundamentar essas estimativas, foram realizados estudos abrangentes que incluíram 1.370 furos de sondagem e mais de 74 mil intervalos amostrais.
Um relatório técnico elaborado pela empresa indica que a rodovia pavimentada era considerada uma das limitações no planejamento anterior da mina, restringindo o avanço da cava aurífera.
A principal ocorrência mineral está situada na Fazenda São Francisco, localizada aproximadamente 28 quilômetros a leste do centro de Currais Novos. A área cobre cerca de 735 hectares e é dividida pela BR-226, com 586 hectares na seção norte e 149 hectares ao sul.
Com as novas diretrizes operacionais, o planejamento prevê uma vida útil estimada em cerca de 20 anos e cinco meses para a mina em operação a céu aberto. A recuperação metalúrgica média projetada é de 92,1%, o que significa que para cada 100 unidades de ouro presentes no minério processado, aproximadamente 92 seriam recuperadas durante o processo produtivo.
O estudo considera um preço médio do ouro fixado em US$ 2.274 por onça durante os anos em que ocorrer a exploração e estabelece uma taxa cambial referencial de R$ 5,70 por dólar a partir do ano de 2025. Com base nessas premissas, espera-se uma taxa interna de retorno após impostos em torno de 42,8%.
A produção comercial da mina teve início em 23 de setembro de 2025, após um período aproximado de construção que durou cerca de 19 meses.
No primeiro semestre do ano seguinte, em 2026, a unidade alcançou uma produção totalizada em 31.352 GEO (Gold Equivalent Ounce), conforme informações divulgadas pela empresa. Esse resultado representa aproximadamente 975 quilos convertidos em equivalente ao ouro.
Além disso, espera-se que o projeto contribua para um aumento na Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), cuja alíquota é estabelecida em 1,5% para a extração do ouro e é gerida pela ANM.
- Dessa quantia arrecadada:
- 60% são destinados ao município produtor;
- 15% vão para o estado onde ocorre a mineração;
- 15% são direcionados aos municípios impactados quando a produção não acontece dentro dos seus territórios;
- 10% ficam com a União e são distribuídos entre diversos órgãos federais.
A partir do mês passado, julho, a ANM deu início à implementação da Plataforma de Gestão de Recursos Minerais (PGRM). Essa iniciativa visa digitalizar o processo da CFEM e fortalecer a rastreabilidade das operações mineradoras ao incluir informações detalhadas sobre vendas, consumo e exportações.
