No último amistoso antes do início da Copa, realizado no dia 8 de junho, a França derrotou a Irlanda do Norte pelo placar de 3 a 1. A expectativa era que Mbappé marcasse um gol, alcançando assim 57 tentos e igualando-se a Giroud, o maior goleador da história da seleção francesa. No entanto, quem se destacou em campo foi Michael Olise, que anotou três gols e deixou Mbappé sem marcar.
Enquanto assistia aos três gols de Olise, recordei do ex-jogador Balotelli, que costumava não celebrar seus gols e justificava sua atitude com uma comparação absurda: “Se um carteiro não comemora ao entregar uma carta, por que eu deveria comemorar um gol? Estou apenas fazendo meu trabalho”. Essa analogia ignora o fato de que a entrega de uma carta não provoca reações tão intensas quanto um gol no futebol.
Para falarmos sobre Olise, melhor deixarmos de lado os carteiros e pensarmos em algo mais moderno como o GPS. O jogador parece ter um sistema de navegação embutido em seus pés, comemorando seus gols com a mesma precisão de uma máquina que leva alguém ao seu destino correto.
Ele costuma se posicionar pela direita antes de avançar para o meio. Seu estilo lembra o famoso Robben, que brilhou no Bayern de Munique. O primeiro gol foi marcado com um chute preciso com o pé direito dentro da área, aproveitando uma oportunidade clara. O segundo foi um verdadeiro golaço com seu pé esquerdo, enquanto o terceiro também merece destaque: ele saiu da ponta direita, driblou os defensores e mandou a bola para o ângulo superior direito do goleiro irlandês.
Até agora, Olise já balançou as redes sete vezes em 17 partidas pela seleção francesa. Dembélé também possui sete gols, porém em 39 jogos.
Aos 24 anos e medindo 1 metro e 84 centímetros, Michael Olise representa bem a globalização no futebol. Nascido na Inglaterra, ele é filho de pai nigeriano e mãe com cidadania francesa e argelina. Embora pudesse optar por defender as seleções da Inglaterra, Nigéria ou Argélia, decidiu jogar pela França, mesmo enfrentando desafios com a língua. Sua estreia pela equipe francesa ocorreu durante as Olimpíadas de Paris em 2024, onde ajudou a seleção a conquistar a medalha de prata ao marcar dois gols e fornecer cinco assistências em seis partidas.
Os colegas de equipe ressaltam que ele é tímido mas sociável; sempre coloca música no vestiário e mantém boas relações. Entretanto, ele não aprecia comemorar seus gols. Com esse estilo reservado, é provável que vejamos várias “não comemorações” durante o Mundial.
