O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, está utilizando a presidência de Donald Trump como uma oportunidade para se posicionar em busca de objetivos maiores. No momento, ele parece satisfeito em atuar como um Vice-rei na Venezuela, aproveitando-se da situação do presidente eleito Nikolás Maduro e da exploração que os EUA estão realizando no país vizinho.
Rubio nutre o desejo de replicar essa estratégia em Cuba, onde costuma contar uma narrativa distorcida sobre sua família, alegando que seus pais deixaram a ilha em fuga da “ditadura comunista”, quando na verdade saíram em 1956, antes da Revolução Cubana.
Recentemente, em sua conta na plataforma X, Rubio expressou suas opiniões afirmando que a pequena Cuba, sujeita a um embargo econômico e comercial imposto pelos EUA há mais de sessenta anos, é responsável por financiar a “esquerda radical e o terceiromundismo”.
Após mais de seis décadas, o regime cubano tem sido o principal apoiador da esquerda radical e do terceiromundismo nos Estados Unidos.
O Departamento de Estado está revelando toda a história da espionagem e subversão cubanas em nosso país.
O povo americano merece ter acesso a essas informações.
A mensagem publicada por Rubio foi compartilhada por Eduardo Bolsonaro, que agora demonstra uma forte afinidade com os Estados Unidos após conseguir seu tão almejado green card:
“Documentado: como Cuba financiou a guerrilha no Brasil.
A pergunta que fica é: será que essa influência maligna contra os brasileiros de bem parou por aqui?” — escreveu o filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O financiamento cubano ao PT segundo Veja
A utilização equivocada do nome de Cuba na América Latina é uma prática antiga e frequente, semelhante ao uso do fantasma do comunismo como um recurso retórico para justificar golpes militares na região.
A edição número 1929 da revista Veja, publicada em 2 de novembro de 2005, trouxe uma matéria de capa intitulada: “Os dólares de Cuba para a campanha de Lula”. Naquele período, a revista era extremamente influente, com uma circulação semanal superior a um milhão de exemplares. A reportagem teve grande repercussão.
Na publicação, duas fontes distintas alegavam ter informações sobre o envio de milhões de dólares cubanos para financiar a campanha do PT que elegeu Lula em 2002. As estimativas sobre o valor variavam entre cinco milhões e 1,4 milhão de dólares.
Ricardo Berzoini (SP), então presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), desmentiu as acusações e acrescentou:
“Não há como um partido como o PT se arriscar assim, pois isso implicaria perder registro partidário. A Constituição Federal estabelece claramente as consequências da aceitação de recursos externos.”
A alegação acerca do envio desse dinheiro nunca foi confirmada e muitos aspectos da matéria se desfizeram em meio às afirmações sensacionalistas contidas na própria reportagem.
Nenhuma das fontes citadas tinha testemunhado diretamente o suposto envio dos fundos; ambas apenas relataram informações ouvidas de uma terceira pessoa que não poderia ser questionada porque já havia falecido.
A investigação realizada pela VEJA, juntamente com os relatos fornecidos por duas testemunhas, oferece um panorama sólido sobre o suposto financiamento cubano. Contudo, é importante ressaltar que ambos os depoimentos se baseiam no que ouviram falar sobre Ralf Barquete – uma testemunha que não pode mais ser ouvida. Em 8 de junho de 2004, Barquete faleceu devido a um câncer aos 51 anos. Seria plausível que Buratti e Poleto sustentassem uma versão falsa fundamentada nas palavras de alguém falecido? No universo obscuro das transações clandestinas e operações secretas, quase tudo é viável e seria precipitado descartar imediatamente essa possibilidade.
Reacender o mito da influência cubana nos dias atuais, como fazem Marco Rubio e Eduardo Bolsonaro, representa mais uma tentativa de deslegitimar lideranças populares como Lula e incitar a extrema direita ignorante que os apoia.
