A privatização dos trilhos em São Paulo se tornou a prioridade da gestão de Tarcísio de Freitas. No entanto, mesmo com essa estratégia, os resultados têm sido desanimadores: frequentes quebras nas linhas 7 e 8 da CPTM, falhas na linha 4 do Metrô e a linha 6, que deveria ser um exemplo de eficiência privada, necessitando de pesados investimentos públicos para se concretizar, juntamente com atrasos significativos.
A deterioração da qualidade e o aumento dos custos do serviço ocorrem devido a uma concepção equivocada das privatizações, que pressupõe que o setor privado trará novos investimentos para o metrô. Na prática, o setor privado investirá apenas o valor arrecadado das tarifas pagas pelos usuários, uma fonte de receita instável, injusta e insuficiente.
Isso ocorre porque, para cobrir o custo da viagem do trem com a tarifa arrecadada, é necessário que o trem esteja lotado de passageiros pagantes. No entanto, o transporte também deve funcionar nos horários de menor demanda, com uma frequência mínima garantida. O resultado é a redução da frequência para cortar despesas, o que piora a qualidade do serviço, leva à diminuição da utilização e reduz a arrecadação de tarifas. Esse ciclo vicioso obriga um aumento da tarifa, resultando na exclusão de mais pessoas que não podem pagar. A repetição desses ciclos demonstra que as concessões atuais são um modelo falido, levando à má qualidade que testemunhamos atualmente.
Além de ser insuficiente, esse modelo é injusto, já que se baseia na tarifa paga pelos usuários, a maioria da qual pertence à população de baixa renda, que já sofre com aumentos quase anuais. Em um momento em que se discute a progressividade do Imposto de Renda, isentando quem ganha até R$ 5 mil por mês, é crucial reconhecer que a tarifa do transporte público é uma das formas mais regressivas de cobrança no Brasil.
Os efeitos dessa situação já são visíveis no dia a dia: maior tempo de espera, menor investimento em manutenção e modernização, falhas frequentes e atrasos na expansão. A constante falta de recursos resulta em falhas e quebras constantes, como aquelas relatadas diariamente nas linhas 8 e 9 da CPTM, nas linhas 4 e 5 do Metrô, nos atrasos das obras de expansão da Linha 6 e nos problemas da linha 7, que foi assumida pela concessionária há apenas 4 meses.
Outro grave problema decorrente do enfraquecimento da empresa de transporte público é a falta de controle no planejamento das obras e nas desapropriações para as expansões. Um exemplo é a futura linha Violeta, cujo traçado está sendo definido pela própria concessionária, resultando em uma diminuição do atendimento à Cidade Tiradentes e uma ampliação para regiões mais ricas, como Pinheiros. Moradores de outras regiões que tentaram sugerir melhorias na definição dos locais das estações foram orientados a contatar a Secretaria de Parcerias e Investimentos, e não a Secretaria de Transportes ou o Metrô.
É absurdo que o órgão público responsável pelo planejamento do transporte no estado não tenha participação na definição do traçado de uma linha que implicará em bilhões de recursos públicos! Seja no planejamento, seja na operação do serviço, fica claro que o poder público precisa investir e manter o transporte. Além de privatizar as linhas, Tarcísio está enfraquecendo o Metrô.
Um problema iminente, que ainda não se manifestou completamente, diz respeito à falta de integração. Com a divisão das linhas do metrô entre diferentes empresas, ao contrário do que ocorre em outros lugares do mundo, as integrações entre as linhas, que são atualmente simples baldeações entre vagões, passarão a ser uma troca entre serviços de empresas distintas, abrindo espaço para possíveis novas tarifas.
Atualmente, o Governo do Estado ainda subsidia essas integrações no contrato, pagando por passageiro integrado, quando o custo real é a operação do trem. Com o aumento desses custos, um futuro reajuste tarifário, e a estratégia de redução de investimentos em serviços públicos defendida por Tarcísio, não é difícil imaginar um cenário com cobranças adicionais nas integrações, como já ocorre em terminais de ônibus, por exemplo em Diadema.
Embora essa situação ainda não tenha se refletido nas catracas, já é evidente nas ruas. Nos últimos anos, os congestionamentos em São Paulo têm se tornado cada vez mais frequentes, conforme apontado pela CET.
Isso não é mera coincidência. O abandono do transporte coletivo pelas gestões Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas está incentivando as pessoas a optarem por alternativas individuais, como aplicativos, motos ou carros próprios. A redução do número de ônibus, trens, corredores exclusivos, juntamente com o desmantelamento da EMTU, entre outros prejuízos, contribuem para a intensificação desse movimento.
Portanto, mesmo aqueles que não utilizam o metrô ou o trem, que estão sendo prejudicados pelo governador Tarcísio, devem se preocupar. O enfraquecimento das empresas públicas de transporte não é apenas um problema urbano, ambiental ou econômico. Quanto mais Tarcísio enfraquecer o Metrô e a CPTM, pior será a situação, e a possível extinção desses órgãos, um desejo do político, levará ao colapso do transporte e da região metropolitana.
