Na manhã de segunda-feira (13), um homem em situação de rua foi agredido com um dispositivo de choque elétrico (taser) por estudantes de Direito, em frente a uma instituição de ensino superior situada na avenida Alcindo Cacela, em Belém. O incidente ganhou destaque nas redes sociais, após a divulgação de vídeos que capturaram a ação.
As gravações mostram um dos alunos se aproximando da vítima, que caminhava distraído, e aplicando descargas elétricas em duas ocasiões diferentes. Outro estudante estava presente, gravando a cena enquanto ambos riam durante as agressões.
A polícia conseguiu identificar os estudantes envolvidos: Altemir Sacramento Oliveira Filho, que é acusado de realizar as descargas elétricas, e Antonio Coelho, que fez a filmagem. Ambos foram afastados pela instituição educacional. Um deles foi levado à delegacia para prestar esclarecimentos e posteriormente liberado. Até o momento, não foram localizadas as defesas dos acusados.
Dinâmica “verdade ou desafio”
Informações sugerem que a agressão pode ter sido parte de uma dinâmica denominada “verdade ou desafio”. Além disso, há relatos de que ações semelhantes já ocorreram anteriormente com outras pessoas em situações vulneráveis.
Testemunhas relataram que entregadores de aplicativos que passavam pelo local testemunharam o ocorrido e tentaram alcançar os responsáveis pelas agressões. Contudo, os estudantes conseguiram se refugiar dentro do campus do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), sendo impedidos de entrar pelos seguranças da instituição.
Posicionamento da Cesupa
A universidade divulgou uma nota lamentando o incidente e afirmou estar colaborando com as autoridades competentes. A instituição também confirmou o afastamento dos alunos envolvidos e anunciou a abertura de um procedimento administrativo interno para investigar os fatos, conforme seu regulamento e código de ética.
A Polícia Civil informou que o suspeito foi apresentado pela Polícia Militar na Seccional de São Brás, onde um boletim de ocorrência foi registrado. As investigações sobre o caso continuam em andamento.
No momento da última atualização, não havia informações disponíveis sobre o estado de saúde da vítima.
Ação do MPF
Diante da repercussão gerada pelo caso, o Ministério Público Federal (MPF) decidiu instaurar procedimentos para examinar a situação. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Pará solicitou informações à instituição educacional com um prazo de 48 horas para resposta e também anunciou que encaminhará uma representação ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) para investigação na área criminal.
Reação na Assembleia Legislativa
O incidente provocou reações na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). A deputada estadual Lívia Duarte (Psol) enviou ofícios exigindo providências e a abertura de inquérito. Ela destacou que a conduta pode ser caracterizada como lesão corporal ou até tortura, além de representar humilhação e aporofobia — preconceito contra indivíduos em situação de pobreza.
Nasalientou ainda nos pedidos a necessidade da coleta das imagens do sistema de segurança da universidade e o depoimento dos responsáveis pela instituição para auxiliar na identificação completa dos envolvidos.
