No dia 26 de setembro, a Polícia Federal (PF) lançou duas operações simultâneas voltadas para combater o tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro, abrangendo 14 estados do Brasil. A Operação Perséfone, liderada pela PF em Goiás, e a Operação Indumentum II, realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Sergipe (FICCO/SE), resultaram na execução de diversos mandados de busca e apreensão, além de prisões. Essas ações se estenderam do Norte ao Nordeste e Centro-Oeste do país, com o intuito de desmantelar organizações criminosas que operam com uma estrutura complexa e divisão de funções.
Ações em conjunto
A Operação Perséfone foi realizada em seis estados: Goiás, Bahia, Pará, Tocantins, Ceará e Mato Grosso, resultando na execução de dez mandados de busca e apreensão e quatro prisões preventivas. Municípios como Goiânia, Alagoinhas, Luís Eduardo Magalhães, Salvador, Redenção, Marabá, Porto Nacional, Fortaleza e Rondonópolis foram alvos das ações. O foco da operação é desmantelar uma organização criminosa envolvida no tráfico interestadual de cocaína e na lavagem dos recursos financeiros oriundos desse crime.
Por sua vez, a Operação Indumentum II, também iniciada no mesmo dia pela FICCO/SE, atuou em cinco estados: Sergipe, Minas Gerais, Bahia, Paraíba e Alagoas. Foram cumpridos 11 mandados de prisão temporária e 14 mandados de busca e apreensão, além da emissão de ordens para sequestrar bens e bloquear ativos financeiros por parte do Núcleo de Garantias do Tribunal de Justiça de Sergipe. As operações ocorreram em cidades como Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Tobias Barreto, Barra dos Coqueiros, Montes Claros, Ribeira do Pombal, João Pessoa e Maceió. A FICCO/SE é composta por diversas forças policiais que colaboram no combate ao crime organizado.
Apreensões significativas
A origem da Operação Perséfone remonta a uma apreensão significativa ocorrida em outubro de 2025: foram confiscados 466,8 kg de cocaína escondidos em uma carga de melancias, interceptada durante uma abordagem a um caminhão em Campinaçu, Goiás. Esse episódio levou a PF a rastrear a organização responsável pelo transporte da droga e mapear suas conexões financeiras. Durante a operação, as equipes encontraram cerca de 300 kg adicionais de cocaína abandonados em um galpão localizado em Alagoinhas, Bahia.
No caso da Operação Indumentum II, as investigações começaram em abril de 2025 após descobrirem um grupo envolvido na distribuição principalmente de crack e maconha na região de Nossa Senhora do Socorro. Na data da operação em Aracaju, aproximadamente 5 kg de entorpecentes foram encontrados em uma residência ligada a um dos investigados; entre os itens estavam pasta base de cocaína, cocaína pura e maconha. Um indivíduo foi preso no local durante a ação.
Análise da estrutura criminosa
A investigação da Operação Perséfone revelou uma estrutura organizacional bem definida entre os membros envolvidos. O delegado Hugo Leonardo Lisita destacou que “foram identificados outros integrantes dessa organização criminosa que desempenham papéis essenciais nas áreas logística e financeira”. Essa especialização denota um elevado nível profissionalismo do grupo que operava rotas interestaduais com cargas substanciais.
No contexto da Operação Indumentum II, as pesquisas indicam que o grupo movimentou cerca de R$ 32 milhões entre 2021 e 2025. Durante as apurações foram encontrados indícios sobre como ocultar valores provenientes das atividades ilícitas. Um dos indivíduos investigados se destacou por levar um estilo de vida incompatível com sua renda declarada; ele possuía imóveis luxuosos e veículos caros. Essa movimentação financeira considerável ao longo dos anos sugere uma estrutura consolidada capaz de reinvestir os lucros do tráfico em bens difíceis de rastrear.
Efeitos das operações
Toda a documentação coletada nas operações será submetida à análise pericial para identificar novos participantes nas redes criminosas relacionadas ao tráfico e à lavagem de dinheiro. A PF continua as investigações visando ampliar o alcance das operações além dos alvos já estabelecidos.
No âmbito da Operação Indumentum II, o Judiciário determinou o sequestro dos bens dos suspeitos e o bloqueio dos ativos financeiros associados ao crime. Essas medidas visam evitar que o patrimônio obtido ilicitamente seja dissipado antes do término das investigações. A execução simultânea das operações demonstrou a abrangência do tráfico interestadual no Brasil e a capacidade das organizações criminosas operarem eficazmente em diversas frentes simultaneamente — um desafio que justifica o modelo colaborativo adotado pela FICCO.
