É uma situação recorrente. Na verdade, é quase sempre a mesma história. Quando um clube brasileiro – qualquer um deles – está próximo do final da partida, defendendo uma vantagem ou buscando o empate, o goleiro realiza uma defesa – seja ela simples ou complicada, isso não importa – e acaba caindo no chão. Ele se queixa de câimbras, coloca a mão na perna e aguarda atendimento médico. Esse processo leva pelo menos um minuto. O árbitro consente com a assistência e adiciona um ou até dois minutos ao tempo de acréscimos. Isso é aceitável, mas o ritmo da equipe que busca o resultado fica comprometido por quem está apenas tentando ganhar tempo.
Recentemente, a CBF decidiu, em conjunto com os clubes, implementar uma nova penalização. Caso o árbitro perceba que houve intenção de fazer cera, a equipe infratora será obrigada a retirar um jogador de campo por um período de um minuto. Se houver cera, ficará com um jogador a menos. Essa medida é mais severa do que qualquer decisão já tomada pela Fifa.
Essa mudança se destaca como a mais drástica entre as novas regras que serão adotadas nas próximas rodadas das séries A e B do Campeonato Brasileiro e também no Brasileiro Feminino. O objetivo é alcançar cerca de 60 minutos efetivos de jogo, meta estabelecida pela Fifa. No Brasil, a média atual é de 52 minutos e 54 segundos. Embora nenhuma liga importante tenha alcançado os 60 minutos ainda, algumas estão próximas desse marco: na Inglaterra, a média é de 55 minutos e 53 segundos; na França e na Alemanha, 56 minutos e 17 segundos; enquanto na Espanha é de 55 minutos e 9 segundos.
Além dessas novas diretrizes, haverá uma revisão sobre o que constitui falta em campo. Um estudo solicitado pela CBF revelou que os árbitros brasileiros tendem a marcar mais infrações do que seus colegas internacionais, especialmente as chamadas “faltinhas”. A expectativa é que esses lances sejam reduzidos.
As demais regras que serão implementadas incluem várias que já foram observadas durante a Copa do Mundo:
- Cinco segundos para realizar arremesso lateral;
- Cinco segundos para cobrar tiro de meta – caso esse tempo seja excedido, o time adversário terá direito a um escanteio;
- Dez segundos para deixar o campo durante as substituições – o jogador deve sair pelo local mais próximo sem demora;
- Um minuto fora após atendimento médico – qualquer atleta atendido no gramado deverá sair e permanecer fora por um minuto;
- Apenas o capitão pode interagir com o árbitro;
- Cobrir a boca durante discussões pode resultar em cartão vermelho – se usado para ofender;
- Análise do VAR para aplicação de cartão amarelo – essa medida diminui o poder decisório do árbitro principal;
- Análise do VAR para verificar escanteios marcados erroneamente (essa regra entra em vigor somente em 2027).
