Uma ação civil pública foi movida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra o influenciador Leonardo Marcondes, conhecido nas redes sociais como “Treinador Financeiro”. O motivo da ação foi uma postagem em que ele argumentou que pessoas em situação de pobreza não deveriam ter direito ao voto. O processo foi protocolado na última quinta-feira (24) pela Promotoria de Direitos Humanos da Capital.
O MP-SP solicita à Justiça não apenas a remoção do vídeo que gerou a controvérsia, mas também o encerramento do perfil do influenciador nas redes sociais. Adicionalmente, a Promotoria pede que Marcondes seja impedido de fazer novas publicações consideradas discriminatórias contra indivíduos em situação de vulnerabilidade econômica e que participe de um curso voltado para inclusão social.
Ainda segundo a ação, o Ministério Público requer que seja estabelecido um valor de R$ 300 mil como indenização por danos morais coletivos, quantia esta que deverá ser destinada ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos, caso a condenação seja confirmada.
Reforço a estereótipos
A petição afirma que o influenciador “cria e perpetua estereótipos ao vincular pessoas pobres à incapacidade, irresponsabilidade e exclusão da participação democrática”.
A publicação questionada foi feita no Instagram no dia 26 de dezembro de 2025. Nela, Leonardo Marcondes se descreve como ex-atleta profissional e menciona estar “construindo uma Nação Rica de Verdade”. Seu perfil conta com aproximadamente 1,3 milhão de seguidores.
No vídeo postado um dia após o Natal, Marcondes declara que “toda decisão do pobre é equivocada” e sugere limitar o direito ao voto com base na condição financeira das pessoas.
Ele diz na gravação: “Você já parou para pensar que pobre não devia ter direito de votar? Pensa comigo. Uma pessoa que é pobre, ela não soube tomar boas decisões para ter o melhor para sua família e para si mesma”.
Em outro momento da gravação, acrescenta: “Se o poder de decisão de um país ficasse na mão dos ricos, até que o pobre ficasse rico, para que ele conseguisse ter o poder de tomar decisões também, seria muito mais lógico”.
Aporofobia
O promotor Ricardo Manuel Castro, responsável pela ação, argumenta que as declarações do influenciador criam uma associação inadequada entre a condição socioeconômica e a capacidade de participar politicamente, caracterizando um caso de aporofobia — termo usado para descrever a aversão ou preconceito contra pessoas pobres.
No processo, Castro defende que Leonardo Marcondes equipara “a falta de recursos materiais à irresponsabilidade constitucional”, contribuindo para estigmatizar uma parcela vulnerável da sociedade.
Além disso, o Ministério Público ressalta que a liberdade de expressão possui limites impostos pela Constituição e não protege manifestações que promovem ódio ou intolerância. A Promotoria enfatiza que “a liberdade de expressão não ampara discursos de ódio e intolerância, especialmente quando estes visam estigmatizar grupos vulneráveis e violam os princípios da igualdade, dignidade humana e do regime democrático”.
