Rodrigo Aguiar Amaral, advogado que representa Mauro Figueiredo Rocha, um militante de 69 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), que foi violentamente atacado por apoiadores de Bolsonaro na noite de quinta-feira (11) em Copacabana, no Rio de Janeiro, trouxe novidades sobre o andamento da investigação.
O ataque possui motivações políticas, uma vez que a vítima foi reconhecida por um adesivo da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), que é pré-candidata ao Senado, fixado em sua bolsa. Consta no boletim de ocorrência que Mauro foi agredido por três indivíduos e também recebeu ameaças de morte, além de ofensas relacionadas à sua orientação política e crença religiosa.
“Estamos buscando uma resposta porque inicialmente foi registrado um Termo Circunstanciado na 14ª DP. Agora, solicitamos a abertura de uma investigação formal para apurar a tentativa de homicídio”, declarou o advogado.
Amaral destacou: “Os agressores do senhor Mauro proferiam frases como: ‘Vou te matar, você vai morrer’. Se fosse apenas a agressão a um idoso já seria extremamente séria. Contudo, trata-se de uma questão envolvendo direitos fundamentais garantidos pelo artigo 1º, inciso 5º da Constituição, que assegura o pluralismo político. Isso diz respeito a toda a sociedade”.
O advogado acrescentou que “nosso pedido é para que haja uma ação policial ainda hoje. O delegado prometeu que as diligências aconteceriam no máximo até amanhã pela manhã, para que os registros em vídeo dos prédios onde Mauro reside e o vizinho sejam preservados e entregues para identificação dos autores”.
“Já temos evidências concretas, pois foi realizado um exame de corpo de delito, e as lesões estão claramente documentadas. A próxima etapa é identificar os três agressores. Com a conservação das imagens que solicitamos hoje e a abertura do inquérito policial, estamos confiantes de que isso ocorrerá”, finalizou o advogado.
Relato da Vítima
Mauro Figueiredo Rocha compartilhou que as agressões aconteceram na quinta-feira (11) por volta das 22h50, em frente ao seu prédio.
“Até agora ainda sinto os efeitos: meu corpo está todo dolorido, tenho dificuldade para andar e meu rosto está machucado. Sofri bastante. Foi uma tortura prolongada que durou mais de quatro minutos, com duas mulheres usando técnicas sofisticadas de luta marcial. Tomei um ‘mata-leão’, fui brutalmente agredido. Minha cabeça ainda está inchada e sinto muitas dores nas costas; apanhei bastante. Quando alguém aplica um ‘mata-leão’, você fica completamente imobilizado. Eu estava indefeso”, descreveu o idoso.
“Além das agressões físicas, ainda puxaram minhas calças para baixo. Me vi apenas de cueca na frente do meu prédio. A situação foi extremamente grave; cheguei a pensar que não iria sobreviver. Eles só pararam quando um homem forte apareceu entre nós e pediu para eles pararem. Eles então se afastaram rindo; para eles foi apenas uma diversão”, relatou Mauro.
Mauro reforçou que o crime teve motivação política: “Eles repetiam insistentemente: ‘É Bolsonaro, é Bolsonaro! Você é um petista safado! Sua igreja não vale nada!’. Arrancaram um terço do meu pescoço durante as agressões. Isso é algo que nenhum ser humano merece passar; tudo por questões políticas”, declarou.
Ainda não há identificação dos três agressores por parte da polícia. Mauro suspeita ter sido alvo de uma emboscada e afirmou não conhecer os homens envolvidos no ataque.
