O jogador de futebol Gianluca Prestianni admitiu a colegas do Benfica que xingou o brasileiro Vini Jr. de “macaco”. O argentino apresentou argumentos para justificar sua atitude e afirmou que não é racista.
Durante partida entre o Benfica e o Real Madrid, Prestianni disparou uma série de ofensas racistas contra Vini Jr.
Dessa maneira, Prestianni foi suspenso preventivamente por um jogo. O Benfica recorreu da decisão, mas a UEFA rejeitou o recurso.
Vini Jr. é alvo de novo ataque racista e é defendido por Mbappe
A partida entre Benfica e Real Madrid, válida pelos playoffs da Champions League, nesta terça-feira (17), no Estádio da Luz, em Lisboa, terminou com vitória espanhola por 1 a 0, mas foi marcada por mais um episódio de denúncia de racismo envolvendo o atacante brasileiro Vini Jr.
O jogador do Real Madrid marcou o gol da vitória na segunda etapa e, na comemoração, se envolveu em uma discussão com os argentinos Nicolás Otamendi e Gianluca Prestianni, atletas do Benfica. Pouco depois, Vini correu em direção ao árbitro francês François Letexier, que acionou o protocolo antirracismo da Fifa ao cruzar os punhos — gesto oficial que sinaliza denúncia de discriminação.
De acordo com as imagens da transmissão, a acusação do brasileiro é direcionada a Prestianni, jovem meia-atacante do time português. Durante o desentendimento, o argentino chegou a cobrir a boca com a camisa enquanto falava com Vini. Segundo o francês Kylian Mbappé, companheiro de equipe no Real Madrid, Prestianni teria chamado o brasileiro de “macaco” cinco vezes. Até o momento, não houve punição disciplinar ao jogador do Benfica. Mbappé reagiu ao jogador argentino ainda dentro do gramado:
A confusão ocorreu após o gol que garantiu a vitória merengue. Antes mesmo do acionamento do protocolo, Vini Jr. recebeu cartão amarelo, aparentemente por um gesto feito durante a comemoração. Revoltados com o episódio, jogadores do Real Madrid ameaçaram deixar o gramado e se dirigiram ao banco de reservas.
Nas arquibancadas, torcedores do Benfica passaram a entoar insultos contra o atacante brasileiro, embora, segundo a TNT Sports, sem palavras de cunho racista. O técnico do clube português, José Mourinho, também foi visto conversando de forma acalorada com Vini Jr., ao pé do ouvido.
Mbappé foi um dos atletas mais exaltados durante a paralisação. O atacante discutiu fortemente com Otamendi, capitão do Benfica. Após cerca de dez minutos de interrupção, a partida foi retomada normalmente.
Na noite desta terça-feira (17), a Confederação Brasileira de Futebol publicou nota oficial em apoio ao atacante. “Racismo é crime. É inaceitável. Não pode existir no futebol nem em lugar algum”, afirmou a entidade. “Vini, você não está sozinho. Sua atitude ao acionar o protocolo é exemplo de coragem e dignidade. Temos orgulho de você.”
Entenda o protocolo antirracismo
O protocolo antirracismo prevê três etapas. Na primeira, o árbitro observa ou recebe a denúncia e decide pela paralisação temporária do jogo. Nesse momento, os telões exibem mensagem relatando o incidente, enquanto o gesto oficial é realizado para alertar atletas e torcedores.
Caso os ataques persistam, a arbitragem pode suspender ou até encerrar a partida. A decisão final cabe ao árbitro, que avalia a gravidade e a dimensão dos fatos. Todos os acontecimentos são registrados na súmula, documento que embasa eventuais punições posteriores por parte das entidades responsáveis.
