Após quase três décadas do assassinato de Tupac Shakur, o caso registrou sua primeira condenação. Em 31 de agosto de 2026, um júri em Las Vegas declarou Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, culpado por seu papel na morte do rapper, que pode resultar em uma sentença de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Davis, que se encontra detido desde setembro de 2023, mantém sua inocência. A audiência para a definição da pena está agendada para 13 de outubro, e o réu já anunciou sua intenção de recorrer da decisão judicial.
Leia também: Suspeito do assassinato de Tupac Shakur é preso após 27 anos; relembre a história
No dia 7 de setembro de 1996, Tupac foi atingido por disparos em Las Vegas e faleceu seis dias depois, aos 25 anos. Naquela noite, o rapper e o empresário Suge Knight estavam presentes na luta de boxe entre Mike Tyson e Bruce Seldon, realizada no MGM Grand.
Após o evento esportivo, as câmeras de segurança capturaram uma briga entre Tupac e membros de sua equipe contra Orlando Anderson, identificado como membro da gangue South Side Compton Crips. Vale ressaltar que Anderson era sobrinho de Davis.
Cerca de três horas depois do confronto, Tupac estava no banco do passageiro do BMW dirigido por Suge Knight quando um Cadillac branco se aproximou e os ocupantes abriram fogo. O rapper foi atingido em quatro partes do corpo.
Davis, ligado à South Side Compton Crips, tornou-se o principal suspeito por ser o único sobrevivente entre os quatro homens que estavam no Cadillac envolvido no ataque. Ao longo dos anos, suas declarações foram utilizadas pela acusação.
No período entre 2008 e 2009, ele prestou depoimentos à polícia sobre o incidente. Em 2019, publicou o livro Compton Street Legend, onde se apresentou como uma das poucas testemunhas vivas do assassinato de Tupac.
A promotoria afirma que Davis estava em Las Vegas na noite do crime e ficou indignado com a agressão sofrida pelo sobrinho; ele teria conseguido uma arma e participado do ataque no Cadillac. Os promotores argumentaram que ele colaborou na organização da retaliação contra Tupac.
A defesa tentou impedir a utilização do livro e dos depoimentos como evidências no tribunal, alegando que algumas partes poderiam ter sido fictícias para impulsionar as vendas. Contudo, um juiz permitiu que esses materiais fossem apresentados como provas durante o julgamento.
O processo teve início em 17 de agosto de 2026, encerrando-se com uma rápida deliberação por parte do júri. Após aproximadamente três horas considerando as evidências, Davis foi declarado culpado.
Ainda assim, mesmo com a condenação imposta a Davis, existem incertezas sobre quem realmente realizou os disparos que resultaram na morte do rapper naquela fatídica noite em Las Vegas.
A rivalidade Crips vs Bloods e o assassinato de Tupac
A morte de Tupac ocorreu em um contexto marcado pela histórica rivalidade entre as gangues Crips e Bloods, duas das mais proeminentes organizações criminosas nas ruas de Los Angeles. Os Crips são associados à cor azul e os Bloods à vermelha, mantendo uma disputa violenta por território. Enquanto Tupac tinha vínculos com membros dos Mob Piru Bloods, Duane Davis e Orlando Anderson eram ligados aos South Side Compton Crips. A agressão contra Anderson horas antes do assassinato é vista pela promotoria como um possível motivador da retaliação que culminou nos disparos contra Tupac. Essa rivalidade entre gangues também se entrelaçou com a disputa no hip-hop entre a Costa Oeste e a Costa Leste, envolvendo artistas e gravadoras como Death Row Records e Bad Boy Records.
