Nesta terça-feira (28), o Dia Nacional de Luta dos Bancários convoca profissionais de instituições financeiras em todo o Brasil para defender a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), a mesa única de negociação e melhores condições laborais. Essa mobilização visa fortalecer a coesão da categoria frente às ameaças dos bancos em relação a uma das principais conquistas das negociações nacionais.
A data destaca também a necessidade de valorização da remuneração dos bancários, um assunto que será central nas próximas mesas de diálogo da Campanha Nacional Unificada. A mobilização foi organizada após a quarta rodada de conversações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região enfatiza que a defesa da mesa única tem como objetivo garantir direitos comuns entre trabalhadores de bancos públicos e privados em todo o território nacional.
Reação ao desmembramento das negociações
Durante a quarta rodada da Campanha Nacional Unificada, realizada em 21 de outubro, a Fenaban indicou a possibilidade de fragmentar as negociações entre bancos públicos e privados, o que colocaria em risco o modelo nacional estabelecido há 23 anos, responsável por assegurar direitos comuns aos trabalhadores da categoria bancária.
A importância da mesa única foi reafirmada pela Fórum, que se opõe à tentativa de dividir as discussões entre instituições financeiras públicas e privadas.
A defesa da CCT também foi um ponto destacado pela presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, durante a cerimônia de posse do novo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno, realizada no último domingo (26).
Neiva, acompanhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras lideranças sindicais, ressaltou que as negociações coletivas em âmbito nacional são essenciais para proteger os direitos dos trabalhadores no Brasil.
A luta por CCT e mesa única
A dirigente declarou que preservar tanto a Convenção Coletiva quanto a mesa única significa defender um modelo que fortalece a organização entre os trabalhadores, amplia o poder negocial da categoria e evita a fragmentação dos direitos conquistados ao longo de anos de mobilização.
“A mesa única vai muito além de um formato de negociação. Ela simboliza a união da categoria e é fundamental para garantir direitos, valorização profissional e segurança jurídica para centenas de milhares de bancários em todo o país”, destacou.
Para Neiva Ribeiro, enfraquecer esse modelo poderia comprometer uma das mais significativas conquistas da categoria, que assegura condições equitativas nas negociações para trabalhadores em diferentes instituições financeiras.
O Dia Nacional de Luta dos Bancários deixa claro que manter a mesa única não exclui as negociações específicas para bancos públicos e privados. Este modelo combina uma CCT nacional aplicável a toda a categoria com acordos particulares para cada instituição financeira.
Pauta sobre remuneração e condições laborais na próxima rodada
A defesa da CCT e da mesa única também se alinha à demanda por melhores condições laborais e valorização salarial. Essas questões estarão na agenda da próxima reunião com a Fenaban, agendada para quinta-feira (30), onde serão discutidas as cláusulas econômicas da CCT.
No encontro anterior, realizado no dia 21, os representantes dos trabalhadores exigiram ações contra metas abusivas, riscos psicossociais e o adoecimento dentro da categoria. Um levantamento revela que 73% dos participantes consideram que o ambiente nos bancos afeta negativamente sua saúde mental.
Além disso, 40% dos quase 55 mil participantes afirmaram ter utilizado medicamentos controlados nos últimos 12 meses. Esses dados reforçam a necessidade urgente de implementar medidas preventivas contra assédio moral e reduzir pressões resultantes de metas excessivas.
CCT unifica direitos trabalhistas no setor bancário
A Convenção Coletiva Nacional dos Bancários é vista como um marco nas relações trabalhistas brasileiras. A primeira CCT para empregados de bancos privados foi firmada em 1992, garantindo direitos e salários unificados por todo o país.
No ano de 2003, foi criada a mesa única que incluiu os bancos públicos federais nas negociações, mantendo acordos específicos para cada banco enquanto ampliava o potencial negociador da categoria.
A CCT e os acordos coletivos englobam cláusulas gerais aplicáveis à categoria e regras específicas para instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander e Itaú.
Os resultados obtidos desde então evidenciam a relevância desse modelo: entre 2004 e 2025, os bancários registraram um ganho real salarial acumulado de 23,44%. O piso salarial teve um aumento real correspondente a 45,33%, enquanto os vales-refeição e alimentação cresceram 38,1% e 39,7%, respectivamente. Além disso, houve avanços significativos em várias cláusulas econômicas e sociais.
Pela perspectiva dos representantes dos trabalhadores, esses resultados demonstram que a unidade da categoria e as negociações coletivas nacionais permanecem essenciais para garantir direitos trabalhistas robustos além de promover uma valorização profissional justa dentro do sistema financeiro brasileiro.
Dessa forma, o Dia Nacional de Luta dos Bancários antecipa uma fase crucial na Campanha Nacional Unificada. A negociação marcada para quinta-feira deverá focar nas questões relacionadas à remuneração, benefícios e outras cláusulas econômicas pertinentes à CCT.
