Carlos Alberto Dias Viana (63), que tenta a reeleição ao Senado pelo Partido Social Democrático (PSD) em Minas Gerais, legenda à qual retornou em abril deste ano após deixar o Podemos, entrou na política em 2018 depois de uma longa carreira na comunicação.
Natural de Braúnas, no Vale do Rio Doce, Viana trabalhou como repórter e apresentador em veículos como Rede Minas, TV Globo, TV Alterosa, TV Record Minas e Rádio Itatiaia. Também passou pela imprensa brasileira nos Estados Unidos, onde foi editor-chefe de um jornal voltado à comunidade brasileira.
Carreira política
A entrada na política ocorreu em 2018, quando deixou o jornalismo para disputar uma das duas vagas de Minas no Senado. Naquele ano, foi eleito com cerca de 20,22% dos votos válidos, ao lado de Rodrigo Pacheco (DEM).
Em 2018, o TRE-MG rejeitou as contas de sua campanha por irregularidades que incluíam doações não registradas, omissões de receitas, receitas financeiras sem identificação dos doadores e atraso na entrega de documentos. A Justiça Eleitoral determinou o recolhimento de R$ 44,5 mil ao Tesouro Nacional.
Desde então, Viana já concorreu ao governo de Minas Gerais em 2022, pelo PL, disputa vencida por Romeu Zema (Novo), quando terminou em terceiro lugar, com 783,8 mil votos, equivalentes a 7,23% dos votos válidos.
Dois anos depois, em 2024, voltou às urnas para disputar a Prefeitura de Belo Horizonte pelo Podemos, quando terminou em sétimo lugar entre dez candidatos, com 12.712 votos, ou 1% do total. A eleição foi para o segundo turno entre Bruno Engler (PL) e Fuad Noman (PSD).
Ataques ao STF
Em 2022, Viana assinou um pedido de impeachment contra o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentado por um grupo de senadores que acusava o magistrado de falta de imparcialidade e de extrapolar os limites de sua atuação judicial. Entre as alegações estavam a participação de Barroso em um jantar com o advogado Cristiano Zanin, que posteriormente seria indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de manifestações públicas do ministro sobre temas como a legalização do aborto e das drogas.
Viana afirmou que o Parlamento precisava reagir ao que classificava como “ativismo político” do Judiciário e sustentou que ministros das Cortes superiores deveriam manter maior distância de manifestações de natureza política.
A crítica fazia parte de uma posição mais ampla de Viana sobre a relação entre os Poderes. Em dezembro daquele ano, ele apresentou a PEC 40/2022, que pretendia proibir ministros do STF, de tribunais superiores e de outras instâncias judiciais de manifestarem publicamente preferência ou repúdio a correntes políticas, agentes políticos ou candidatos.
A proposta também previa que manifestações que ultrapassassem os limites constitucionais pudessem resultar na responsabilização prevista no artigo 52, inciso II, da Constituição, que atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. No discurso de apresentação, Viana afirmou que seu objetivo era “reforçar a imparcialidade do Judiciário” e conter o que considerava uma “invasão das competências do Legislativo”.
Defesa de grupos armados
Dois anos depois, em abril de 2024, Viana voltou a adotar um discurso de confronto com instituições responsáveis pela investigação e controle da atividade policial. Em pronunciamento no Senado, pediu ao então procurador-geral da República, Paulo Gonet, que arquivasse um inquérito da Polícia Federal relacionado à operação realizada em Varginha, no Sul de Minas Gerais, em outubro de 2021, contra integrantes de quadrilhas especializadas no chamado “novo cangaço”. Na ação, 26 suspeitos morreram em confrontos com policiais, e foram apreendidos fuzis, explosivos, munições e outros armamentos.
Segundo Viana, 23 policiais rodoviários federais e 16 policiais militares de Minas Gerais haviam sido afastados e investigados por suspeitas relacionadas às mortes e à condução da operação. O senador considerou que a responsabilização dos agentes representava uma “inversão de valores”, e argumentou que policiais que participaram de uma ação contra uma organização criminosa fortemente armada estavam sendo tratados como “vilões” em vez de serem reconhecidos por sua atuação no “combate ao crime organizado”.
Em seu discurso, Viana defendeu que a investigação fosse arquivada e que os policiais retornassem às suas funções. Afirmou ainda que operações desse tipo não poderiam resultar, em sua avaliação, na responsabilização daqueles que atuavam no enfrentamento de grupos criminosos armados.
A polêmica das ‘emendas pix’
Já em 2026, uma nova denúncia protocolada junto ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), revelou que Viana teria enviado R$ 3.787.908,00 em emendas parlamentares, entre os anos de 2023 e 2025, à Fundação Oásis, ligada à Igreja Batista da Lagoinha, do pastor André Valadão.
A Fundação teria atendido apenas cinco idosos durante o período, segundo informações citadas na representação, em um município com pouco mais de 10 mil habitantes.
O senador também teria omitido, em sua manifestação ao STF, uma emenda no valor de R$ 1,35 milhão destinada à Fundação Oásis em Capim Branco, em 2024. A denúncia questionou ainda a justificativa apresentada por Viana para uma emenda de R$ 1,5 milhão destinada à Prefeitura de Belo Horizonte; desse valor, R$ 700 mil foram indicados para a Fundação Oásis.
Segundo relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), esse valor permaneceu em uma conta de investimento enquanto a entidade regularizava sua situação e não havia definição sobre o objeto da aplicação.
A presidência da CPMI do INSS
A CPMI do INSS, instaurada em agosto de 2025, foi presidida por Viana (eleito com 17 votos) e investigou um esquema envolvendo entidades associativas, intermediários, servidores e empresas suspeitas de participar de descontos não autorizados sobre benefícios previdenciários ao longo de sete meses, quando ouviu dezenas de depoentes e analisou milhares de documentos.
A investigação terminou sem um relatório final aprovado e, em março de 2026, o relatório apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da comissão, foi rejeitado por 19 votos a 12.
Como presidente da CPMI, Viana adotou uma postura de enfrentamento com setores do governo e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O senador passou a cobrar publicamente que o Senado analisasse pedidos de impeachment contra ministros da Corte e, em 2026, intensificou as críticas a decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal, sobretudo ao ministro Alexandre de Moraes.
Ao longo dos sete meses de funcionamento, a CPMI aprovou mais de 2 mil requerimentos e realizou 36 depoimentos.
As investigações envolveram ex-dirigentes do INSS, além de servidores, empresários, representantes de associações e outros personagens ligados ao esquema, um deles Alexandre Guimarães, ex-diretor de Governança do INSS, que admitiu ter mantido relações comerciais com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado nas investigações como um dos principais operadores do esquema.
Também foram chamados ex-integrantes do governo Bolsonaro.
Os trabalhos da comissão geraram controvérsias sobre a quebra de sigilo relacionada às movimentações de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, trazido às sessões como estratégia de grupos bolsonaristas para envolver a ala do governo na polêmica.
Os dados bancários analisados, no entanto, não mostraram depósitos feitos pelo “Careca do INSS” a Lulinha, nem comprovaram a versão de que ele receberia uma suposta “mesada” de R$ 300 mil do lobista.
Segundo o próprio Viana, não havia comprovação da alegação, e a acusação estava sustentada no relato de uma testemunha, sem confirmação documental.
Saiba mais:
- Governistas apontam “fraude” em votação que aprovou quebra de sigilo de Lulinha e acionarão presidente da CPMI do INSS – Revista Fórum
- PF não encontra elementos que liguem filho de Lula a fraude no INSS; ex-ministro de Bolsonaro foi indiciado – Revista Fórum
Os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) chegaram a questionar se Viana teria usado a presidência da CPMI para impedir ou dificultar investigações envolvendo pessoas ligadas à Igreja Batista da Lagoinha, enquanto ele próprio havia indicado emendas para uma fundação ligada à igreja.
A disputa pelo Senado em 2026
Viana deixou o Podemos e se vinculou novamente ao PSD em 2026 numa articulação política que envolveu o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), e o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab. Simões havia assumido o governo mineiro após a renúncia de Romeu Zema para disputar as eleições.
Segundo informações divulgadas pelo veículo O Fator, Kassab teria atuado para manter Viana na disputa pelo Senado, em meio a especulações de que o senador poderia abrir mão da reeleição para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A eventual mudança o colocaria em uma disputa com o deputado Samuel Viana (União Brasil), filho do senador.
Carlos Viana é de esquerda ou de direita?
Viana está inserido no campo da direita bolsonarista; em 2022, ainda filiado ao PL, partido de Jair Bolsonaro, disputou o governo de Minas Gerais como aliado do ex-presidente. No mesmo ano, teceu críticas à atuação independente do STF e enfrentou setores do governo federal para defender a autonomia do Congresso diante do Judiciário.
Na área de segurança pública, também mantém posições tipicamente associadas à extrema-direita, especialmente na defesa da impunidade e do endurecimento das forças policiais. Ele se soma a outras lideranças da bancada evangélica no Congresso Nacional em defesa de pautas conservadoras, como a proibição do aborto e e o endurecimento das leis contra o tráfico e o consumo de entorpecentes.
