O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que os repasses de Daniel Vorcaro para a cinebiografia Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), chegaram ao fim em maio de 2025. No entanto, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou um novo envio no valor de US$ 1,66 milhão, realizado pelo banqueiro em setembro do mesmo ano, ou seja, quatro meses após a data mencionada pelo senador.
Em uma entrevista à GloboNews, Flávio Bolsonaro afirmou que o último repasse feito por Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025. Confira abaixo:
https://x.com/ManuelaDavila/status/2094785240463983041
A contradição entre as declarações do senador e o relatório é significativa, visto que o novo repasse foi registrado após o surgimento de suspeitas envolvendo o Banco Master. Além disso, mensagens obtidas pela Revista Piauí indicam que Flávio voltou a contatar Vorcaro para solicitar parcelas atrasadas do projeto nesse período.
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De acordo com o Coaf, a transferência ocorreu em 16 de setembro de 2025, direcionada ao Havengate Development Fund, um fundo americano sob controle de Eduardo Bolsonaro, que supostamente gerenciava os recursos relacionados ao filme.
Com essa nova transação, o total dos valores transferidos por Vorcaro ao fundo subiu para US$ 12,3 milhões, superando os US$ 10,6 milhões anteriormente identificados — um montante que equivale a mais de R$ 65 milhões na cotação da época.
Contradições nas declarações de Flávio Bolsonaro
Durante sua participação na GloboNews, quando a relação com Vorcaro foi discutida, Flávio afirmou que os aportes financeiros do banqueiro haviam cessado meses antes.
“O último pagamento que ele fez […] foi em maio de 2025”, comentou o senador.
Entretanto, o relatório do Coaf documenta uma transação seguinte, com a transferência de US$ 1.666.667 ao fundo responsável pela administração dos recursos da produção.
Consultada pela Revista Piauí sobre a discrepância entre as afirmações do senador e as informações do Coaf, a assessoria de Flávio sugeriu que a revista entrasse em contato com a produtora do filme e afirmou que “isso não é com a gente”.
Essa resposta contrasta com as mensagens divulgadas durante as investigações, nas quais Flávio aparece como interlocutor direto de Vorcaro e como alguém que faz cobranças sobre os atrasos nos pagamentos.
A nova informação proveniente do Coaf sugere que as interações financeiras entre as partes continuaram além da época apontada publicamente pelo senador.
Flávio buscou Vorcaro após escândalo relacionado ao Banco Master
Um aspecto crucial sobre o novo repasse é seu timing.
A transferência identificada pelo Coaf ocorreu apenas oito dias depois que Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem cobrando parcelas atrasadas referentes ao projeto.
As trocas de mensagens sugerem que o senador buscou novos valores junto ao banqueiro e, posteriormente, houve a liberação dos recursos para o fundo gerenciador do projeto.
Esse episódio se desenrola em um cenário bem diferente daquele apresentado por Flávio em suas declarações públicas: o escândalo envolvendo o Banco Master já estava exposto e levantava questões sobre as relações financeiras envolvendo Vorcaro.
Além da transferência confirmada pelo Coaf, existem indícios de novos valores sendo enviados posteriormente.
A Revista Piauí obteve mensagens trocadas via WhatsApp em 22 de outubro de 2025, entre Vorcaro e Thiago Miranda, publicitário envolvido na captação de recursos para o filme.
Na conversa, Miranda questiona se Vorcaro conseguiria “liberar as parcelas do filme” e expressa preocupação caso isso não ocorra: “vai parar tudo por lá”.
Vorcaro responde afirmativamente: “Sim. Liberei mais uma hoje.”
Miranda menciona que informaria os demais envolvidos e acrescenta que Flávio “disse que iria te ligar também”. Vorcaro pede então para que Miranda transmita suas desculpas ao senador pelos “atrasos” nos pagamentos.
Se este pagamento mencionado na conversa for confirmado, o total transferido por Vorcaro ao projeto chegaria a aproximadamente US$ 14 milhões strong>, cerca de R$ 72 milhões . p >
A investigação explora o destino dos fundos h2 >
O acordo inicial entre as partes previa um total de US $ 24 milhões strong > para o projeto . p >
Com a transferência confirmada pelo Coaf em setembro , sete parcelas foram reconhecidas . O possível envio mencionado nas mensagens de outubro representaria a oitava . p >
As investigações visam esclarecer não apenas os valores envolvidos , mas também como esses recursos foram utilizados . p >
Documentos citados na apuração revelam que os valores não eram transferidos diretamente das empresas de Vorcaro nem chegavam diretamente à Go Up Entertainment LLC , produtora oficial do filme nos EUA . O trajeto passava pelo doleiro Antonio Freixo Junior , conhecido como Mineiro , e seguia para o Havengate Development Fund , fundo situado no Texas e administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro , Paulo Calixto . p >
Os investigadores buscam confirmar se todos os valores enviados ao Havengate foram realmente destinados à produção cinematográfica e qual era o papel desempenhado por Eduardo Bolsonaro na gestão desses recursos. Documentos dos EUA relacionados ao projeto descrevem-no em diferentes momentos como “produtor executivo” e “financiador”. p >
À medida que a investigação avança , o novo relatório do Coaf levanta questões sobre a versão apresentada por Flávio Bolsonaro acerca da interrupção dos repasses feitos por Daniel Vorcaro para o projeto. p >
