A administração de Donald Trump intensificou a pressão sobre jornalistas do New York Times, ao solicitar que operadoras de telefonia forneçam dados de chamadas e mensagens de repórteres e também de seus familiares. Esta ação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos visa descobrir as fontes por trás de reportagens que abordaram problemas de segurança referentes ao novo Air Force One, adquirido do Qatar.
Os detalhes dessa operação foram tornados públicos através de uma petição apresentada pelo New York Times, divulgada na última segunda-feira (20) pela Justiça federal em Nova York. Conforme publicado no Brasil, as intimações afetam até mesmo a mãe de uma repórter e os parceiros de outros dois jornalistas.
Investigação abrange familiares dos profissionais da imprensa
Os requerimentos enviados às operadoras telefônicas abrangem números vinculados aos jornalistas do New York Times e visam coletar informações sobre suas comunicações. A mãe mencionada nas intimações atua na área de saúde mental, lidando com pacientes sob confidencialidade. Um dos cônjuges intimados ocupa uma posição elevada em um escritório jurídico.
Duas das intimações pedem registros desde 1º de janeiro de 2026, data anterior em mais de seis meses às reportagens publicadas nos dias 8 e 9 de julho que desencadearam a investigação. Os advogados do jornal argumentam que esse intervalo sugere uma tentativa ampla do governo Trump para rastrear as conexões dos jornalistas com fontes anônimas.
O New York Times denunciou o Departamento de Justiça por atuar com má-fé e utilizar seu poder estatal para intimidar a imprensa. O veículo também destacou que o governo desconsiderou normas internas que visam restringir investigações que possam afetar o trabalho jornalístico.
O juiz federal Arun Subramanian decidiu suspender provisoriamente o cumprimento das intimações, e uma audiência agendada para quinta-feira (23) em Manhattan irá avaliar o pedido do jornal para revogar essas ordens.
Reportagens sobre o novo Air Force One são alvo da investigação
A ofensiva teve início após o New York Times divulgar matérias sobre falhas na segurança do Boeing 747-8, que foi cedido pelo Qatar à administração norte-americana. A gestão Trump investiu aproximadamente US$ 400 milhões na modernização e adaptação desse avião.
Conforme relatado pelo jornal, a nova aeronave carecia de alguns sistemas defensivos presentes no antigo Air Force One, como capacidades antimísseis. Embora Trump tenha utilizado esse avião em sua viagem à Turquia, ele retornou ao país no modelo anterior após receber aconselhamento do Serviço Secreto.
Ainda além dos registros telefônicos solicitados, três jornalistas foram convocados no dia 10 de julho a depor perante um grande júri federal. Essas ordens visam compelir os profissionais a revelarem informações que ajudem a identificar servidores públicos responsáveis pelos vazamentos.
A Fórum já havia noticiado que agentes federais visitaram as residências dos jornalistas do New York Times para entregar as intimações. O jornal qualificou essa ação como uma tentativa inaceitável de reprimir reportagens protegidas pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA.
Justificativas do Departamento de Justiça para a ação governamental
O Departamento de Justiça defende que os jornalistas não são alvos da investigação, alegando que o foco é identificar indivíduos responsáveis pela divulgação de informações sigilosas. Segundo a instituição, os números associados aos familiares surgiram devido a um banco de dados policial que os conectava aos repórteres.
A administração anunciou que desistirá da solicitação dos registros caso determine que os telefones não eram utilizados pelos jornalistas envolvidos. Até o momento da resposta à Justiça, as empresas ainda não haviam fornecido os dados requisitados.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas qualificou as intimações como um agravamento das tentativas de Trump em ameaçar e coagir meios independentes. A entidade expressou preocupação quanto ao impacto dessa ofensiva sobre jornalistas e suas fontes em todo o território nacional.
A decisão do juiz Arun Subramanian será crucial para determinar se o governo Trump poderá continuar exigindo os registros e depoimentos ou se as intimações serão anuladas por infringirem as proteções destinadas ao trabalho da imprensa e à confidencialidade das fontes.
