Na última segunda-feira (11), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, conhecida como Sabesp, confirmou que uma explosão devastadora ocorreu na área residencial do Jaguaré, localizada na zona oeste da capital paulista. O incidente resultou em uma fatalidade, deixou pelo menos três pessoas feridas e destruiu 35 residências. A explosão aconteceu durante um serviço de remanejamento de tubulação de água realizado pela empresa, conforme informações fornecidas pelo Corpo de Bombeiros.
A Sabesp esclareceu em comunicado que, durante a execução das atividades, uma tubulação de gás foi acidentalmente atingida, levando à imediata suspensão dos trabalhos. A companhia ressaltou que a obra estava sendo coordenada e acompanhada pela concessionária responsável pela rede de gás. Em resposta ao incidente, a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) informou que recebeu um chamado às 15h15 sobre um vazamento e chegou ao local às 15h37 para conter o problema. A Comgás também destacou que não estava realizando manutenção na região no momento do vazamento.
A concessionária de gás revelou que o chamado recebido referia-se a um vazamento causado por “obra de terceiros”. Ambas as empresas decidiram liberar um montante emergencial de R$ 2 mil para auxiliar nas despesas imediatas enquanto os danos estão sendo investigados.
Moradores da área relataram que perceberam um forte cheiro de gás antes da explosão. Ednaldo dos Santos Vieira Filho, cuja casa foi danificada, mencionou: “O gás vazou por cinco horas. Começou às 13h e explodiu às 17h”. Os Bombeiros informaram que a Comgás interrompeu o fornecimento de gás e não há risco imediato de novas explosões. Devido à ameaça potencial de desabamentos, a área foi isolada e os residentes foram impedidos de retornar para suas casas; além disso, o fornecimento de energia foi suspenso como medida cautelar.
Em comunicado oficial, o Corpo de Bombeiros identificou o vazamento de gás como a causa principal da explosão e elogiou a pronta intervenção realizada pela Sabesp. Segundo informações da companhia privatizada pelo governo estadual, o rompimento da tubulação ocasionou a interrupção imediata das atividades e acionamento da concessionária responsável para as ações técnicas necessárias. A situação está sob investigação.
Leia nota da Sabesp na íntegra
“Durante os trabalhos, houve a colisão com uma rede gasífera, levando à paralisação imediata das atividades e convocação da concessionária para as intervenções técnicas necessárias.”
“No momento em que a equipe técnica se mobilizava para realizar os reparos, ocorreu a explosão. As causas do incidente estão sendo investigadas pelas empresas envolvidas e pelas autoridades competentes.”
“Neste instante, nossa prioridade é prestar todo o suporte necessário às vítimas, moradores, comerciantes e demais afetados na área impactada, permanecendo à disposição para colaborar plenamente com as investigações.”
Privatização sob Tarcísio em 2024
A Sabesp deixou sua condição como estatal sob controle do governo paulista e continua responsável pelos serviços de saneamento no estado. Em julho de 2024, passou por um processo de privatização através da oferta pública inicial que arrecadou R$ 14,8 bilhões. Como resultado dessa operação, o governo estadual tornou-se acionista minoritário.
A participação do Estado na companhia diminuiu drasticamente: caiu de 50,3% para cerca de 18,3%, enquanto investidores privados adquiriram a maior parte das ações disponíveis no mercado. A Equatorial se destacou como investidora majoritária ao adquirir 15% do capital por R$ 6,9 bilhões ao preço unitário de R$ 67 por ação, comprometendo-se a manter essas ações até 2029.
A privatização veio acompanhada por um plano abrangente que estabelece metas para investimentos e universalização dos serviços sanitários. Estima-se um investimento total de R$ 69 bilhões até 2029 visando garantir acesso à água potável para 99% da população e coleta e tratamento adequados para pelo menos 90% dos resíduos domésticos.
O governo também anunciou que parte dos recursos obtidos com a venda será destinada tanto aos investimentos quanto à criação de um fundo destinado à redução das tarifas cobradas aos consumidores. Entretanto, dados coletados pela agência reguladora referente ao primeiro trimestre de 2026 revelaram um aumento significativo nas reclamações dos paulistas em relação à Sabesp: elas subiram em torno de 70% comparado ao ano anterior — passando da média mensal registrada anteriormente (1.041) para 1.770 casos novos. Paralelamente a esse aumento no descontentamento popular, a companhia reportou resultados financeiros robustos com lucro líquido ajustado alcançando R$ 1,5 bilhão (crescimento anual de 32,3%) e Ebitda totalizando R$ 3,8 bilhões, o que representa um aumento significativo de 26% nesse mesmo período.
