Na última quinta-feira (2), Neymar se dirigiu à imprensa e fez uso de uma expressão considerada misógina ao criticar a arbitragem, o que resultou em uma onda de críticas direcionadas ao jogador.
Até o sábado (4), Neymar manteve-se em silêncio em relação às críticas recebidas. Contudo, ele decidiu se manifestar através de suas redes sociais, utilizando sua fé como base para o pronunciamento.
No Instagram, o atleta do Santos compartilhou uma montagem com imagens da sua família, com a frase “100% Jesus” destacada ao centro, acompanhada por um versículo bíblico: 1 João 2:25.
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“Estar de chico”: a expressão de Neymar e seu impacto misógino na sociedade
A declaração misógina feita por Neymar durante uma entrevista após a vitória do Santos sobre o Remo por 2 a 0 repercutiu não apenas nas redes sociais, mas também ganhou destaque na mídia internacional. O jogador, que recebeu o terceiro cartão amarelo e ficará fora da próxima partida contra o Flamengo, afirmou que o árbitro Sávio Pereira Sampaio “acordou meio de chico”.
No contexto da língua portuguesa de Portugal, “chico” é sinônimo de “porco”, termo que também originou a palavra “chiqueiro”. Historicamente, a expressão era utilizada para descrever negativamente a menstruação, associando-a à sujeira e à proibição de relações sexuais. Portanto, “estar de chico” pode ser interpretado como estar “suja”.
Especialistas apontam que essa situação pode ser analisada sob os artigos 243-G e 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. O primeiro refere-se a atos discriminatórios e desdenhosos, enquanto o segundo aborda condutas contrárias à ética esportiva. Dependendo da interpretação dos casos, as punições podem variar entre multas e suspensões que vão de cinco a dez jogos.
O deputado Nikolas Ferreira (PL) tentou aproveitar o momento para promover sua oposição à Lei da Misoginia e se manifestou em defesa do atleta com mais de 200 milhões de seguidores. Sua fala minimizou as implicações do projeto que visa criminalizar o desprezo ou aversão às mulheres. “Se a Lei da Misoginia for aprovada, Neymar poderia ir para a cadeia. Essa lei é uma aberração”, disparou em suas redes sociais, ignorando os aspectos importantes que essa legislação apresenta para proteger as mulheres.
A especialista em Gênero e Saúde da Mulher pela Universidade de Stanford (EUA) e colunista da Fórum, Thaís Cremasco, comentou sobre a situação: “Não estamos observando um debate jurídico sério sobre limites normativos ou garantias constitucionais; trata-se de um movimento político destinado a desvirtuar o significado da lei antes mesmo que ela entre em vigor. Isso revela que o direito pode gerar impactos concretos mesmo sem estar implementado — basta que ameace romper com uma lógica histórica de impunidade.”
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