Na última semana, o Distrito Federal se deparou com uma realidade desalentadora, embora esperada: os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para 2025, revelados pelo Ministério da Educação (MEC) em 5 de agosto, expuseram a negligência que caracterizou a administração de Ibaneis Rocha e Celina Leão. Ao longo dos oito anos desse governo, o Sindicato dos Professores no DF (Sinpro) denunciou repetidamente o abandono e a degradação do ensino público. Os impactos dessa situação são evidentes: o DF não apenas ficou aquém da média nacional no Ideb, como também falhou em alcançar suas próprias metas estabelecidas para a educação pública.
Além de cinco anos sem qualquer reajuste salarial para os profissionais da educação, o que se observou na gestão prolongada por Celina Leão foi um cenário de desmantelamento da educação pública promovido pelo Palácio do Buriti. A situação se agrava com a substituição gradual dos monitores por “educadores sociais voluntários”, que atuam sem vínculo empregatício ou suporte legal adequado. Da mesma forma, professores efetivos tiveram seus postos ocupados por trabalhadores temporários, que possuem a mesma formação e responsabilidades, mas gozam de menos direitos e estão sob contratos precários.
Durante os oito anos de administração, cerca de dois terços dos educadores nas salas de aula da rede pública distrital foram contratados temporariamente. Há relatos alarmantes sobre turmas dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental que tiveram até cinco docentes diferentes apenas neste ano letivo de 2026. O resultado é claro: enquanto a meta do Ideb para os Anos Iniciais era 6,5, o índice alcançado ficou em 6,0 – inferior à média nacional de 6,1.
Desconsideração das advertências
Apesar das constantes denúncias e advertências do Sinpro ao longo desses oito anos, as salas de aula continuam superlotadas. Em algumas Coordenações Regionais de Ensino (CRE), as direções escolares foram orientadas a calcular o espaço físico disponível para acomodar quantos alunos cabem dentro do limite permitido. O número de estudantes nas escolas públicas aumentou consideravelmente e, em algumas regiões, houve crescimento populacional. Contudo, não foram construídas novas instituições educacionais – apenas obras viárias sem fim.
Mesmo com os esforços incessantes do Sinpro pela implementação de uma educação verdadeiramente inclusiva, a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais foi tratada como um fardo pela Secretaria de Estado de Educação (SEEDF). A ex-secretária chegou a afirmar que a superlotação nas salas era resultado da presença de alunos autistas. Hoje, essa mesma ex-secretária busca apoio dos eleitorais para uma vaga no Legislativo.
A única ação efetiva relacionada à educação no DF durante esse período – que nunca foi apoiada pelo Sinpro – foi a militarização de 25 escolas localizadas em áreas periféricas. Nesses ambientes escolares, os estudantes enfrentam situações severas como coação e assédio psicológico. A prática da militarização contraria a Lei nº 4.751, sancionada em 2012, que estabelece diretrizes para uma gestão democrática nas escolas.
O insucesso nos índices do Ideb é resultado direto dos cortes contínuos nos investimentos durante os oito anos sob Ibaneis e Celina. Apesar do superávit fiscal desse governo e da diminuição dos recursos destinados à educação, é crucial reconhecer o empenho inabalável dos professores que persistem em fazer diferença nas vidas dos alunos. A falta de materiais básicos e equipamentos essenciais para o dia a dia escolar também se agrava devido à redução do orçamento destinado ao custeio das escolas (o PDAF).
Um dado preocupante emergiu: o aumento no adoecimento entre os profissionais da educação. Nos últimos oito anos sob essa gestão, muitos têm solicitado afastamento médico devido ao burnout – um sintoma resultante do estresse físico e mental acumulado. Um dos fatores contribuindo para essa situação é a falha no funcionamento do Diário Eletrônico (EducaDF).
Cabe ressaltar que quaisquer avanços obtidos na educação pública durante esses oito anos foram conquistados após intensas lutas e duas greves significativas.
A atual governadora já deixou claro que não aceitará ser responsabilizada pela gestão anterior; entretanto, é importante lembrar que ela mesma foi eleita vice-governadora e assumiu o cargo após a renúncia de Ibaneis Rocha para concorrer a uma posição da qual acabou desistindo posteriormente. Celina não apenas concordou com as políticas prejudiciais implementadas por Ibaneis; ela é parte integral dessa abordagem destrutiva.
O fracasso do DF nos resultados do Ideb pode ser atribuído diretamente aos nomes: Celina Leão, Hélvia Paranaguá e Ibaneis Rocha.
(*) Márcia Gilda é diretora do Sinpro-DF
