Com aliados cada dia mais blindados após André Mendonça assumir a relatoria do caso Master, tratada como Lava Jato 2.0 pelos vazamentos seletivos à mídia liberal, o clã Bolsonaro deixou, definitivamente, os tempos de Globolixo para trás e se aliou a emissora da família Marinho para defender a narrativa que tenta tragar Lula para a investigação.
Nesta terça-feira (10), Carlos Bolsonaro (PL-RJ) compartilhou um vídeo em que Malu Gaspar, que tem comandado os ataques a Alexandre de Moraes com os vazamentos seletivos no jornal O Globo, faz uma comparação surreal entre a tentativa de interferência de Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal em 2020 para blindar ele e o irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), das investigações do caso das rachadinhas e a situação atual.
Em comentário na Globonews, jornalista da Globo ataca o que ela considera uma “interferência” do STF na PF em razão da corte tentar frear jutamente o vazamento seletivo de informações sobre o caso para municiar esses ataques.
“[Tirar] André Rodrigues e botar um diretor da Polícia Federal amigo ou que se dobre aos interesses do Supremo, é esse acordo? Eu não estou entendendo então”, dispara Malu, durante debate na GloboNews com Andreia Sadi.
“Então isso é o Bolsonarismo com a roupa do Supremo. É o que o bolsonarismo falava com a roupa do Supremo. É só trocar quem tem vontade de fazer isso. Quando o Bolsonaro queria mandar na Polícia Federal era golpismo. Agora o Supremo quer mandar na Polícia Federal chama como?” diz a jornalista, subindo o tom com a colega.
Em texto confuso, que acompanha o vídeo nas redes sociais, Carlos Bolsonaro baixa o tom contra a “Globolixo” e diz agora que “parte da imprensa hoje finge demência para ainda tentar se colocar como mediadora imparcial de uma “democracia” cada vez mais esculhambada, fato que ela mesmo ajudou a construir”.
“Enquanto que fatidicamente Jair Bolsonaro sempre agiu sob os limites da Constituição Federal de 1988. Esse é justamente o centro do debate político atual no país: quem, de fato, sempre respeitou as regras do jogo democrático e quem está disposto a reinterpretá-las conforme a conveniência do momento. A velha imprensa pra variar achando que o povo é idiota”, emenda, se aliando à mesma “velha imprensa”.
Comparação surreal
A comparação feita por Malu Gaspar entre a interferência de Bolsonaro, que afirmou que trocaria toda a estrutura da investigação para não “foder” com a família e o cenário atual, com o STF, é surreal e não encontra amparo na própria Constituição.
“Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, gritou Bolsonaro na reunião ministerial de 22 de abril de 2020.
Dias depois, Sergio Moro deixou o “super” Ministério da Justiça atirando – o que provocou a divulgação da gravação da reunião – e levou com ele o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.
Oriundo da Lava Jato, Valeixo teria resistido à determinação de Bolsonaro para trocar o comando da PF no Rio diante das investigações sobre os casos de corrupção nos gabinetes de Flávio e Carlos.
No caso Master, o STF busca justamente estancar o vazamento de informações seletivas que partem principalmente de agentes da PF com ligação com a Lava Jato, repetindo a mesma parceria com a mídia liberal, em especial com a Globo, que determinou os rumos do lawfare conduzido pela Força Tarefa, revelado na Operação Spoofing pelas conversas no grupo Filhos de Januário, comandado por Deltan Dallagnol.
Em nenhum momento foi falado de troca de comando da Polícia Federal – até mesmo porque isso é prerrogativa do poder Executivo e não do judiciário. Mas, sim, de corrigir distorções na investigação e saber quem está vazando as informações e qual o propósito.
Isso é descrito, inclusive, no art. 102 da Constituição, que diz que quando há autoridades com foro privilegiado, o STF também tem competência para supervisionar investigações.
