A atenção global voltada para inovações tecnológicas que favorecem a transição energética, promovendo o aumento do uso de fontes renováveis enquanto reduz a dependência de combustíveis fósseis, já está impactando significativamente a procura mundial por minerais essenciais, como os elementos de terras raras, nióbio, cobalto e cobre.
Com abundantes reservas desses minérios, o Brasil possui aproximadamente 742 áreas destinadas à extração em 16 estados, conforme informações do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O país se destaca principalmente na produção de terras raras, posicionando-se como o segundo maior detentor global desse recurso, atrás apenas da China. Além disso, é responsável por 94% das reservas conhecidas de nióbio no mundo.
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A crescente demanda por esses minerais, especialmente na produção de baterias de íon-lítio que armazenam eletricidade em larga escala e na construção de motores e turbinas eólicas, tem levado os países que detêm essas riquezas a se prepararem para ampliar suas capacidades produtivas. Isso inclui investimentos na cadeia de beneficiamento que agrega valor às commodities.
Conforme a Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda global por cobre refinado poderá mais do que dobrar na próxima década, com um crescimento projetado de 28% até 2035. Esse aumento é impulsionado pela meta internacional de emissões líquidas zero e pela crescente popularidade dos veículos eletrificados e dos data centers voltados para inteligência artificial.
Para atender essa demanda crescente, as atuais 25 milhões de toneladas anuais produzidas mundialmente precisarão aumentar para pelo menos 40 milhões até 2040. No entanto, já em 2035, a indústria pode enfrentar uma escassez de cerca de 30% na produção.
No início de 2026, o preço do cobre ultrapassou US$ 14.500 por tonelada (o valor era aproximadamente US$ 12 mil por tonelada no final de 2025), indicando um grande potencial para expansão no setor minerador.
Embora o Brasil figure como o 12º maior produtor global de cobre (com cerca de 386 mil toneladas anuais), ainda representa apenas cerca de 1% da produção total e sua exportação se concentra principalmente no concentrado de cobre, que é uma etapa preliminar ao refino que resulta em cátodos altamente puros. Apesar disso, o país possui importantes vantagens geológicas e um potencial ainda não totalmente explorado.
De acordo com dados do Ibram, o setor extrativo ligado ao cobre pode atrair até US$ 8,6 bilhões em investimentos nos próximos seis anos devido à expectativa de aumento na produção.
A extração nacional está majoritariamente concentrada no Pará (na região de Carajás), reconhecida como uma das províncias minerais mais ricas do mundo; em Goiás, onde se localiza o segundo maior produtor nacional; e em Alagoas, onde a Mineração Vale Verde opera uma mina desde 2021. Esta última foi vendida em 2025 à empresa chinesa Baiyin Nonferrous por cerca de R$ 2,8 bilhões.
A Vale S.A. e suas subsidiárias são responsáveis pela maioria dos projetos em andamento nas grandes minas do Pará, como Salobo e Sossego, utilizando a infraestrutura portuária em São Luís (MA) para escoamento. A empresa planeja expandir sua capacidade produtiva para atingir até 700 mil toneladas anuais até 2035.
No entanto, atualmente o Brasil importa uma parte significativa do cobre refinado consumido do Chile e Peru.
No ano passado (2025), houve um aumento nas exportações brasileiras de ligas de cobre e produtos refinados destinados à China. A empresa Paranapanema é a única habilitada a realizar a purificação do minério e refino secundário — um processo que permite reutilizar sucatas mantendo as propriedades do metal original e resultando em um produto final superior a 99,9% em pureza. Essa técnica reduz a necessidade de novas extrações e consome menos energia.
Novas oportunidades para o Brasil na produção de cobre
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) classifica o cobre como uma prioridade estratégica dentro do setor mineral, promovendo novos projetos voltados ao mapeamento geológico e à prospecção em áreas ainda não exploradas.
Além da famosa região Carajás, o Brasil busca novas descobertas na Bahia — particularmente no Vale do Curaçá — onde levantamentos feitos pela Ero Copper já haviam identificado reservas em 2018 (Siriema), após perfurações que atingiram profundidades consideráveis; além disso, há interesse também no Arco Magmático goiano conhecido pela presença significativa dos depósitos extensos de cobre-ouro formados através da atividade tectônica.
Tais regiões são vistas como novas fronteiras promissoras para exploração mineral que podem alterar substancialmente a posição brasileira no mercado global.
Atualmente, um dos empreendimentos mais relevantes nesse setor é o Projeto Furnas desenvolvido pela Ero Copper — uma empresa canadense com foco nas operações brasileiras — em parceria com a Vale S.A., localizada no Vale dos Carajás.
O projeto propõe a criação uma mina subterrânea com capacidade estimada para produzir até 70 mil toneladas anuais de cobre ao sudeste da mina Salobo e próxima ao campo Tucumã operado pela Ero Copper no Pará. O investimento previsto gira em torno de US$ 1,3 bilhão com participação majoritária da Ero Copper nos lucros (60%). As atividades devem se estender até 2029 numa área abrangendo aproximadamente 2.400 hectares utilizando a infraestrutura ferroviária disponibilizada pela Vale na região.
Setores estratégicos para o uso do cobre
Conforme projeções da Project Blue, os setores que deverão demandar mais cobre nos próximos anos incluem construção civil, tecnologias renováveis e eletrificação automotiva.
No segmento da construção civil, espera-se que o consumo atinja até 22% do total mundial concentrando-se nas redes elétricas utilizadas para transmissão energética. Já no setor automotivo — impulsionado pelo crescimento acelerado da fabricação veículos híbridos e elétricos — essa cifra pode alcançar até 14% nos próximos anos.
Dentre outros setores relevantes para a cadeia produtiva do cobre destacam-se também os segmentos aeroespacial — onde é usado tanto em equipamentos civis quanto militares — além da tecnologia avançada relacionada aos semicondutores e dispositivos eletrônicos que requerem materiais altamente puros.
Segundo análises realizadas pela S&P, prevê-se que avanços nas inteligências artificiais possam responder por até metade do crescimento da demanda global por cobre na próxima década.
A produção brasileira deverá registrar um crescimento aproximado de 15% até 2026 sob liderança da Vale S.A., que almeja implementar investimentos significativos em suas minas até 2035.
A receita oriunda desse setor pode alcançar US$ 2,58 bilhões até o ano de 2030 com um crescimento anual composto estimado em torno de 5,9%, solidificando assim uma posição privilegiada do Brasil nas cadeias produtivas globais relacionadas ao cobre.
