A jornalista e ativista pelos direitos humanos Amelinha Teles, presa e torturada durante a Ditadura Militar, faleceu nesta terça-feira (15) aos 81 anos. Nascida em 194, Amelinha foi militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) durante o regime militar e chegou a ser presa pelo DOI-CODI, história que conta em seu livro “Contos da cela 3”, em que denuncia abusos sofridos durante a época.
Amelinha foi presa em 1972 e foi torturada pelo major do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, então comandante do DOI-CODI de São Paulo. Seu marido, o César Augusto Teles, e seu companheiro de militância Carlos Nicolau Danielli também foram presos. Danielli chegou a ser morto pelo regime e o crime foi testemunhada por Amelinha.
Além de seu marido, seus filhos, Edson e Janaína, com 4 e 5 anos de idade, também foram sequestrados pelo regime militar e levados à Operação Bandeirante (Oban), centro clandestino de tortura, onde viram os pais serem torturados.
Após o fim da ditadura militar, já em 2005, a família Teles moveu uma ação contra o major Ustra, que em 2008 foi o primeiro agente da ditadura a ser declarado torturador. Já em 2013, durante a Comissão Nacional da Verdade, Amelinha denunciou as diversas torturas que sofreu, assim como o marido e seus filhos, durante um ano presa no DOI-CODI.
Amelinha dedicou sua vida a buscar justiça pelas vítimas da ditadura, chegando a integrar a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e ser assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”.
Ela também desenvolveu trabalhos de militância feminista, sendo diretora da União de Mulheres de São Paulo e coordenadora do Projeto Promotoras Legais Populares.
Nas redes sociais, Amelinha foi homenageada por parlamentares. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que escreveu a orelha do livro “Contos da cela 3”, agradeceu a contribuição de Amelinha para a luta feminista.
“Uma mulher histórica, referência para tantas gerações que lutam pela vida das mulheres e pela democracia. Sua história de resistência à tortura e combate à ditadura é uma das mais importantes da História brasileira”, disse a parlamentar.
Já a vereadora Luna Zarattini (PT-SP), neta do militante Ricardo Zarattini, também preso pela ditadura militar, escreveu:
Amelinha foi a própria encarnação da coragem. Enfrentou os horrores da Ditadura Militar, suportou a prisão e a tortura sem jamais se curvar. Transformou sua dor em uma trajetória de luta pelos Direitos Humanos e pela emancipação das mulheres. Tive a honra e o privilégio imenso de aprender ao seu lado e caminhar junto com ela na linha de frente por Memória, Verdade e Justiça e na defesa intransigente dos direitos das mulheres.
