A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) anunciou a criação de três novas cultivares de café para o cultivo no Brasil, conforme informações divulgadas em seu site oficial.
Essas cultivares representam variedades genéticas que foram desenvolvidas com o intuito de aprimorar tanto a produção quanto a qualidade do café. A Ufes destaca que elas se diferenciam das demais espécies por sua homogeneidade, estabilidade e inovações.
No cenário brasileiro, as variedades de café mais prevalentes são as do tipo Arábica, que incluem mais de 135 espécies, como a Catuaí e a Mundo Novo. Juntas, essas variedades respondem por aproximadamente 90% da produção cafeeira nacional. Também são cultivadas as variedades Conilon e Robusta, que servem como base para a fabricação de café solúvel.
As novas cultivares desenvolvidas pela Ufes pertencem à espécie Conilon, que é considerada mais resistente e adequada para climas quentes e regiões de menor altitude. O Espírito Santo é o principal estado produtor dessa variedade no Brasil.
Com esse anúncio, agora são dez materiais genéticos registrados pela universidade no Registro Nacional de Cultivares (RNC), tornando-a a única instituição de ensino superior do país responsável por coordenar registros de cultivares de café.
As novas variedades registradas incluem a Caxixe, a Aimorés e a Leve L80, todas desenvolvidas sob a liderança do pesquisador Fábio Luiz Partelli, que atua nos programas de Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Genética e Melhoramento na Ufes, no Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), localizado em São Mateus.
A pesquisa sobre as variedades da espécie Coffea canephora (que corresponde ao conilon) teve início em 2017. Segundo o pesquisador, os novos materiais foram elaborados para “satisfazer necessidades específicas do setor produtivo”.
A cultivar Caxixe apresenta resistência a baixas temperaturas, uma característica valiosa para o cultivo do Conilon, que tradicionalmente se adapta melhor a climas quentes e altitudes reduzidas.
Desenvolvida na localidade Alto Caxixe, na serra capixaba, essa variedade foi cultivada em altitudes em torno de 1.100 metros.
A cultivar Aimorés foi projetada especificamente para atender à região leste de Minas Gerais. Este material combina seis genótipos diferentes testados na cidade de Aimorés, situada no Vale do Rio Doce.
Aquela área é historicamente reconhecida pelo cultivo do café Arábica, mas nos últimos anos tem expandido sua produção das variedades Conilon e Robusta, tornando essa nova cultivar significativa para esse crescimento.
A Leve L80 se destaca por ter um teor de cafeína reduzido, apresentando apenas 1,33 grama a cada 100 gramas de café – cerca de 30% inferior ao nível encontrado nas variedades tradicionais da Coffea canephora, que normalmente contêm quantidades maiores dessa substância em relação ao Arábica.
No momento, o Espírito Santo possui aproximadamente 286 mil hectares dedicados ao cultivo de café Conilon e é responsável por cerca de 70% da produção nacional desta variedade, especialmente nas regiões norte e noroeste do estado.
O programa da Ufes visa melhorias genéticas nas cultivares de café. A equipe já está trabalhando no registro de novas cultivares híbridas e com porte alto adaptadas às condições específicas do Espírito Santo e da Bahia, com previsão para solicitação até 2026.
