A mineradora Vale planeja alocar até R$ 13 bilhões em projetos voltados para a descarbonização, como parte de sua abordagem estratégica para reduzir emissões, minimizar riscos climáticos e cumprir as metas voluntárias de sustentabilidade. Essa informação foi divulgada na segunda-feira (15) no Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade referente ao ano de 2025.
Desses fundos, até R$ 4 bilhões serão direcionados à descarbonização das operações da empresa. Outros R$ 8 bilhões serão investidos no desenvolvimento de suas próprias tecnologias e em parcerias que visam a transição da indústria siderúrgica, incluindo a produção de briquetes de minério de ferro. Além disso, a companhia destinará até R$ 1 bilhão para pesquisa e desenvolvimento.
A Vale informou que, do total reservado para a descarbonização, 24% será aplicado em um horizonte médio e os 76% restantes em um período mais longo. Os investimentos relacionados à siderurgia estão focados na criação dos chamados Mega Hubs, complexos industriais projetados para intensificar a produção com menor emissão de carbono.
A partir de 2020, a empresa já havia investido R$ 9 bilhões em iniciativas de descarbonização, acumulando esse valor até o final de 2025.
A vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale, Grazielle Parenti, ressaltou que esses investimentos não só ajudam na diminuição dos impactos ambientais, mas também abrem novas oportunidades comerciais e fortalecem a gestão dos riscos corporativos.
A executiva enfatizou que os projetos estratégicos da empresa são avaliados com base em critérios ambientais, sociais e de governança (ESG), o que possibilita identificar riscos potenciais e oportunidades ligadas a cada projeto.
Custo com carbono pode chegar a R$ 22 bilhões
No mesmo relatório, é mencionado que a mineradora pode encarar custos que podem alcançar até R$ 22 bilhões, considerando o valor presente, devido a mecanismos de precificação de carbono. Os efeitos financeiros mais significativos devem ser sentidos a partir de 2030 e estarão atrelados ao cumprimento das metas estabelecidas pela empresa para a redução das emissões.
A exposição da Vale está conectada ao avanço das regulamentações climáticas nas diversas regiões onde opera, incluindo o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono da União Europeia (CBAM), o sistema brasileiro de comércio de emissões, o mercado chinês de carbono, além de outros modelos internacionais relacionados à precificação.
Acompanhamento das emissões mostra progresso
No ano de 2025, a Vale conseguiu uma redução nas emissões dos Escopos 1 e 2, atingindo uma diminuição total de 25,3% em comparação com os índices registrados em 2017. Esse percentual ficou ligeiramente abaixo do resultado anterior, que foi uma redução de 26,6%.
No caso do Escopo 3, que abrange as emissões indiretas ao longo da cadeia produtiva, houve um recuo acumulado de 8,2% em relação ao ano-base estabelecido em 2018, enquanto em 2024 essa queda foi reportada em 11,2%. A empresa atribui esses resultados ao aumento na produção e nas vendas.
Análise ampliada dos riscos no relatório atual
A Vale se destacou por ter sido a primeira mineradora global e também a primeira companhia brasileira a publicar um relatório alinhado aos padrões do International Sustainability Standards Board strong>(ISSB strong >), lançado no ano passado.
Nesta edição do relatório referente a 2025, houve uma ampliação na análise dos riscos e oportunidades abordados pela empresa. Temas como segurança das barragens, licenciamento ambiental, relações com comunidades locais, direitos humanos e saúde ocupacional foram incorporados à avaliação, além da abordagem sobre mineração circular strong>.
Grazielle Parenti strong >afirmou que agora a sustentabilidade strong >é encarada como um elemento central na geração dos resultados financeiros da companhia, transcendendo seu papel meramente reputacional dentro das organizações.
Mineração circular se torna prioridade estratégica strong >
Dentre os pontos destacados no relatório, está o crescimento da mineração circular strong >. Em 2025, a mineradora produziu um total de 26 milhões de toneladas de minério de ferro strong >a partir da reutilização de resíduos, representando um aumento significativo de 107% em relação ao ano anterior.
No momento atual, essa prática corresponde a cerca de 8% da produção total da empresa. A expectativa é aumentar essa participação para 10% até o ano de 2030.
A Vale acredita que expandir sua atuação na circularidade traz benefícios tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico, gerando novas oportunidades comerciais e melhorando a eficiência no uso dos recursos minerais strong >.
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A publicação destaca o investimento previsto pela Vale que pode chegar até R$ 13 bilhões em descarbonização e sustentabilidade.
