A atleta de vôlei Tiffany Abreu, que joga no Osasco, foi alvo de um ataque transfóbico por parte da maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Londrina (PR), que aprovaram um requerimento para fazer cumprir uma lei local que proíbe atletas trans de participarem de campeonatos profissionais. Isso poderia impedir a participação de Tiffany, mas a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) entrou com uma ação na Justiça e garantiu que Tiffany pudesse jogar.
Antes do início da partida, Tiffany Abreu recebeu homenagens de torcedores e colegas de equipe. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra jovens entregando um cartaz à atleta com a mensagem: “Tiffany, nós te amamos”.
Durante uma entrevista à Globo Esporte, Tiffany declarou que vai continuar jogando e que sua presença nas quadras é um ato político. Ela ressaltou a perseguição e a violência sofrida por pessoas trans no Brasil, com uma média de expectativa de vida de 35 anos no país.
Na quinta-feira (27), a Câmara Municipal de Londrina aprovou um requerimento para fazer valer uma lei municipal que proíbe a participação de atletas trans em competições esportivas ligadas ao poder público municipal. A legislação foi considerada inconstitucional e seria aplicada para vetar a presença de Tiffany na semifinal da Copa Brasil Feminina de Vôlei.
No entanto, a Justiça Estadual do Paraná concedeu uma liminar a pedido da CBV garantindo a participação de Tiffany na partida. A confederação contestou a legislação de Londrina por considerá-la inconstitucional e também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tratar do caso, que está sob relatoria da ministra Cármen Lúcia.
A lei de Londrina, além de transfóbica e homofóbica, acabou proibindo a prática esportiva de forma ampla, já que confunde identidade de gênero e orientação sexual, vetando a participação de pessoas cisgêneras e trans em eventos esportivos. Essa confusão poderia inviabilizar a realização de qualquer evento esportivo na cidade paranaense.
O Projeto de Lei completo pode ser conferido aqui.
