A empresária Zilu Camargo enfrenta a exigência de ressarcir R$ 734 mil ao Tesouro Nacional, após a Justiça Eleitoral detectar possíveis irregularidades nas contas de sua campanha para o cargo de vereadora na cidade de São Paulo, durante as eleições municipais de 2024.
Como candidata pelo União Brasil, Zilu obteve 4.579 votos, encerrando sua participação no pleito como suplente. A decisão ainda não é definitiva e há a possibilidade de apresentação de recursos.
Um relatório da Justiça Eleitoral destacou que uma das principais falhas foi o atraso na entrega do relatório financeiro relacionado a uma doação de R$ 550 mil recebida durante sua campanha.
Além disso, os responsáveis pela análise das contas observaram que Zilu não apresentou o contrato com uma empresa de marketing político, que foi contratada por R$ 316 mil utilizando recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
Outro ponto levantado refere-se ao pagamento de R$ 100 mil a uma prestadora de serviços. A análise realizada pela Justiça Eleitoral apontou que essa despesa não foi comprovada adequadamente conforme a documentação exigida.
Análise foca em recursos públicos
As despesas em questão foram financiadas com dinheiro do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como fundo eleitoral. Assim, caso a decisão se mantenha, os valores considerados irregulares deverão ser devolvidos ao Tesouro Nacional.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou favoravelmente à rejeição das contas da candidata. Em seu parecer, o órgão destaca que, mesmo após notificação, Zilu não corrigiu as falhas consideradas estruturais em sua prestação de contas.
Dentre os problemas mencionados pelo MPE estão o atraso na entrega dos relatórios financeiros, omissão de receitas, gastos irregulares com verbas públicas e falta de documentos essenciais para comprovar as despesas feitas durante a campanha.
Defesa contesta as alegações
A defesa de Zilu Camargo afirma nos autos do processo que as inconsistências apontadas são meramente formais e não comprometem a integridade da prestação das contas.
<pQuanto ao atraso na declaração da doação — que a defesa considera no montante de R$ 500 mil — o advogado argumenta que se tratou apenas de um erro formal e que isso não justifica a desaprovação das contas.
No tocante ao contrato da empresa responsável pelo marketing, a defesa ressalta que a falta da assinatura é também uma falha formal e informa que documentos adicionais foram apresentados antes da decisão final.
A reportagem buscou contato com a defesa de Zilu Camargo para obter um comentário sobre a decisão, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta.
