Durante uma entrevista concedida a veículos da mídia progressista nesta terça-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sobre a chamada “taxa das blusinhas”. Ele considerou essa cobrança desnecessária e anunciou que o governo está elaborando um conjunto de iniciativas voltadas para a economia popular. Suas declarações foram feitas em resposta a uma indagação de Renato Rovai, da Fórum, que discutiu o endividamento familiar, a situação dos trabalhadores de aplicativos e as implicações políticas da taxação de compras internacionais de baixo valor.
Lula destacou que a implementação dessa taxa ocorreu sob forte influência do comércio varejista, principalmente de setores organizados em grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. O presidente lamentou que o Congresso tenha aprovado essa taxação e que, posteriormente, os governadores tenham aumentado o ICMS, o que agravou a carga sobre as compras de menor valor, geralmente realizadas por consumidores com menor poder aquisitivo.
“Eu achava desnecessária o aumento da blusinha. Achava desnecessária. Porque são compras muito pequenas.”
<pAo explicar sua perspectiva, Lula mencionou que essas transações envolvem valores entre R$ 50 e R$ 70, que não geram um grande impacto econômico geral, mas têm uma relevância significativa no orçamento diário das pessoas com menor renda. Ele reconheceu que esse público foi o mais prejudicado pela medida e admitiu que a questão acabou gerando desgaste para o governo.
“Mas as pessoas de baixo poder aquisitivo é que compravam aquilo. E que ainda compram. E eu sei do prejuízo que isso trouxe para nós.”
O presidente também vinculou essa questão a uma agenda mais abrangente voltada para a economia popular. Ele afirmou ter diálogos constantes com trabalhadores do comércio, da indústria e do setor bancário, além de terceirizados, enfatizando a necessidade do governo em focar na economia com base nas demandas dos mais necessitados. Como exemplo prático, mencionou o ressarcimento de despesas com creche para trabalhadores terceirizados, onde há um pagamento mensal de R$ 515 por filho até 5 anos e 11 meses.
Em sua declaração, Lula deixou claro que não tem intenção de anunciar medidas fragmentadas. Ele garantiu que o Planalto está elaborando um conjunto de ações e se comprometeu a divulgá-las somente quando estiverem prontas para implementação, evitando assim promessas sem efeito imediato. Essa abordagem sugere uma estratégia do governo em concentrar anúncios que possam impactar diretamente o orçamento familiar.
“Eu quero anunciar as coisas tudo de uma vez quando tiver tudo pronto pra funcionar.”
Pacote destinado a mitigar desgaste político da taxa das blusinhas
Pressionado por Rovai sobre possíveis novidades nessa área, Lula confirmou que o governo está preparando novas medidas focadas em aliviar a situação financeira da população. Segundo ele, esse trabalho está sendo realizado com atenção e envolve múltiplos setores do governo para garantir que os anúncios resultem em efeitos práticos e não apenas em repercussões políticas.
“Vai ter, vai ter, vai ter coisa boa. Se não for boa a gente não vai fazer.”
<pAlém disso, Lula informou que sua equipe está explorando maneiras de reduzir dívidas em diversas áreas, incluindo aquelas relacionadas ao crédito estudantil pelo Fies, enfrentando atualmente dificuldades financeiras para quitação das parcelas. Essa resposta reforça a intenção do governo de usar a agenda da economia popular para abordar questões críticas do cotidiano brasileiro: como o endividamento excessivo e as despesas essenciais impactam as famílias trabalhadoras.
AO VIVO: Lula concede entrevista à Fórum, DCM e Brasil 247
