Santa Maria se estabeleceu como o principal centro de veículos blindados do Exército Brasileiro, devido à combinação de infraestrutura adequada, condições geográficas ideais e centralização do treinamento militar. Atualmente, a cidade abriga a maior estrutura de tropas mecanizadas do Brasil e serve como um modelo para a capacitação e operação desses sistemas.
O Brasil conta com aproximadamente 2,2 mil veículos blindados e cerca de 32 mil militares vinculados a unidades mecanizadas. Deste total, metade dos efetivos se encontra no Rio Grande do Sul, com uma significativa presença em Santa Maria. Esta concentração abrange tanques de combate, viaturas blindadas para transporte, veículos de reconhecimento e artilharia, formando o núcleo operacional das forças mecanizadas brasileiras.
A localização geográfica da cidade é um aspecto crucial. O terreno do Pampa, caracterizado por grandes áreas abertas e pouco acidentadas, facilita o emprego eficiente de blindados em manobras dinâmicas. Esse tipo de ambiente favorece operações com veículos pesados, que podem ultrapassar 40 toneladas, equipados com canhões que conseguem atingir alvos a longas distâncias. Em contrapartida, regiões com vegetação densa e relevo irregular restringem esse tipo de atuação.
Outro fator fundamental é a infraestrutura dedicada ao treinamento. Santa Maria abriga unidades como o Centro de Instrução de Blindados e o Centro de Adestramento Sul, responsáveis por padronizar as doutrinas relacionadas ao uso dessas forças. A formação abrange desde a operação básica dos veículos até a coordenação entre diferentes unidades, incluindo infantaria mecanizada e suporte de fogo.
O processo de adestramento é altamente técnico e se dá em etapas progressivas. A maior parte do treinamento ocorre em simuladores que replicam cenários reais com base em dados geográficos e operacionais. Por meio desses sistemas, os militares aprendem a dirigir os blindados, operar armamentos e tomar decisões estratégicas em um ambiente virtual. Essa abordagem reduz custos — considerando que um único disparo de canhão de 105 mm pode custar cerca de US$ 1,2 mil — permitindo múltiplas repetições dos exercícios antes da utilização de munição real. Desde 2017, o uso dessas simulações resultou na economia de centenas de milhares de disparos, gerando uma economia bilionária.
Na fase prática do treinamento, entram variáveis que não são consideradas nos ambientes virtuais, como vento, relevo, clima e movimentação dos alvos. O operador deve calcular esses elementos para assegurar precisão nos disparos e eficácia nas manobras. Esse nível elevado de complexidade exige formação contínua e integração entre as tripulações, comandantes e sistemas auxiliares.
A ascensão de Santa Maria também está conectada à evolução histórica da cavalaria. Durante o século XX, o modelo tradicional baseado em tropas montadas foi substituído por forças mecanizadas. O Renault FT-17 foi o primeiro blindado utilizado pelo Brasil e marcou essa transição histórica, simbolizando o início da modernização militar no país sob a influência de líderes como José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.
Com o passar do tempo, a cidade não apenas agregou equipamentos mas também desenvolveu conhecimento técnico, logística eficiente e capacidade contínua de manutenção. Os blindados requerem grande consumo de combustível, suporte técnico especializado e infraestrutura constante, fatores que favorecem sua concentração em um único local estratégico.
Além de concentrar a maior quantidade de blindados do Brasil, Santa Maria provavelmente detém também o maior número na América do Sul: são 303 veículos que incluem carros de combate sobre lagartas, blindados sobre rodas, viaturas para transporte pessoal, veículos pesados para engenharia, obuseiros autopropulsados e sistemas antiaéreos.
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