Era pra ser doce, mas a Páscoa de 2026 trouxe chocolate com sabor amargo para os brasileiros e um peso para o bolso. Após um ano de turbulência histórica no mercado de commodities, o consumidor encontra nas lojas especializadas e prateleiras de supermercados os ovos de chocolate com preços significativamente superiores aos de 2025, acompanhados de uma redução estratégica no peso dos produtos.
A alta média dos produtos de chocolate para esta temporada gira em torno de 25% a 30% em comparação ao mesmo período do ano passado, de acordo com levantamentos realizados em grandes redes de varejo e dados de consultorias econômicas. Já o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de março de 2026 registrou o item “chocolates” com elevação de 24,9% no acumulado anual.
O principal vilão deste cenário é o custo da amêndoa do cacau. Nos últimos dois anos, a commodity enfrentou um déficit global de oferta de aproximadamente 700 mil toneladas, causado por quebras de safra consecutivas nos maiores produtores mundiais, como Costa do Marfim e Gana.
Embora o preço internacional do cacau tenha apresentado uma leve retração nas bolsas de Nova York e Londres nas últimas semanas de março, esse alívio não chega ao consumidor final.
“A indústria planeja a Páscoa com quase um ano de antecedência. Os contratos de compra da matéria-prima para os ovos de 2026 foram fechados quando o cacau atingia picos históricos de mais de US$ 10 mil por tonelada”, explica o economista Sandro Maskio, professor da Strong Business School.
Redução do tamanho para manter o preço
Para evitar que fiquem encalhados por conta do preço final dos produtos, as grandes fabricantes de ovos de chocolate apostaram na redução de peso. Os que antes pesavam 200g agora estão com 175g pelo mesmo preço (ou superior) ao do ano passado.
O fundador do Chocolat Festival, Marco Lessa, aponta que a qualidade também entra em jogo. “Com o cacau caro, algumas indústrias podem ter aumentado a proporção de gorduras vegetais e açúcar nas formulações de entrada para manter a margem, o que destaca ainda mais o mercado de chocolates artesanais e bean-to-bar, que trabalham com maior pureza, embora com preços de nicho”.
Mas quem pensa ou precisa economizar a saída é deixar os ovos de lado e investir barras de chocolate ou caixas de bombons.
A expectativa é que o mercado de cacau só apresente uma estabilização real a partir de 2027, dependendo da recuperação das safras africanas e da expansão da produção brasileira em estados como Bahia e Pará.
