Um pequeno Estado europeu (com pouco mais de 660 mil habitantes e território duas vezes menor do que o Distrito Federal) lidera os rankings globais com PIB per capita superior a 100 mil euros, que o torna o mais “rico” do mundo.
Luxemburgo, localizado entre França, Alemanha e Bélgica, no coração da Europa, tem mais do que o dobro da média de PIB per capita da União Europeia, segundo estatísticas do bloco. Apesar disso, representa só cerca de 0,5% do PIB total da UE, por seu tamanho diminuto e população reduzida.
A prosperidade econômica do país não está relacionada a uma economia altamente industrializada ou a royalties do petróleo, como é o caso de países que têm apresentado crescimento acelerado e muito acima da média em estatísticas do FMI (como a Guiana); vem, na verdade, de uma combinação bastante específica entre políticas fiscais atrativas, alta produtividade setorial e uma fama de “paraíso fiscal”.
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Luxemburgo tem um setor financeiro relevante, cujos lucros são divididos entre uma pequena população.
Apesar de ter uma produtividade do trabalho geral (índice que relaciona a produção de bens e serviços ao volume de mão de obra e recursos usados para medir a eficiência) em queda, que alcançou crescimento negativo de -0,2% na última década, Luxemburgo se destaca como o segundo lugar da UE em mão de obra qualificada, e concentra sua produtividade no setor de finanças e seguros.
Assim como o ramo de comunicação, o setor financeiro do país gera cerca de 150 euros de valor acrescentado por hora trabalhada, segundo dados da União das Empresas de Luxemburgo. Até 60% da mão de obra do país é considerada altamente qualificada.
A jornada de trabalho padrão é de 40 horas semanais, dividida entre 5 ou 6 dias, e a taxa de desemprego é de cerca de 6,3%, segundo dados recentes da UE. São apenas 21.255 desempregados em todo o país, em número aproximado.
Em resumo, Luxemburgo combina uma “intensidade” de trabalho alta com uma economia de serviços sofisticada, mas o sucesso econômico é resultado principalmente do setor bancário.
Há centenas de bancos e milhares de fundos de investimento espalhados pelo país, cuja capital, Luxembourg City, é considerada um dos principais polos de fundos de investimentos globais desde 1980, quando começou a adotar políticas fiscais frouxas e favoráveis à internacionalização do capital, com baixa regulação, mas muita confiança no sistema financeiro.
Hoje, Luxemburgo é um dos maiores centros de gestão de ativos e instrumentos financeiros negociáveis, como os títulos, que representam direitos a benefícios de juros futuros e geram rendas passivas.
Muitas empresas e investidores usam Luxemburgo como plataforma de investimentos, e o capital estrangeiro europeu é atraído para lá pelo ambiente fiscal estável e mais favorável.
Com uma taxa de imposto sobre sociedades de 24,94%, o país oferece, no entanto, isenções e incentivos especiais que tornam a carga de impostos baixa no caso de holdings (empresas que administram ações), start-ups e estruturas de investimento.
Os dividendos e ganhos de capital obtidos por holdings luxemburguesas (Soparfi) vindos de subsidiárias qualificadas costumam ser isentos de impostos, e rendimentos derivados de propriedade intelectual (como patentes e softwares) têm isenção de até 80%.
O país também não aplica imposto retido na fonte sobre juros de dívida, o que facilita a movimentação de capitais.
O Centro de Fundos de Investimento luxemburguês é o segundo maior do mundo, atrás apenas dos EUA, e o favorito para fundos imobiliários e de Private Equity, modalidade de investimento em empresas privadas a partir de ações não listadas na Bolsa de Valores.
Trabalhadores estrangeiros
Outra característica da economia de Luxemburgo é receber dezenas de milhares de trabalhadores estrangeiros todos os dias, vindos de seus vizinhos: França, Bélgica e Alemanha. São pessoas que trabalham em Luxemburgo, mas residem nos países vizinhos, e contribuem com a economia do país sem entrar de forma oficial na contagem da população residente, o que gera um “adicional” de PIB per capita significativo.
O mercado de serviços, por exemplo, depende de trabalhadores estrangeiros para compor até 82% de sua força de trabalho, segundo dados da UE.
O salário mínimo no Luxemburgo é, além disso, um dos mais altos da Europa. Em 2026, o salário mínimo bruto mensal para trabalhadores adultos não qualificados é de € 2.637,79, enquanto trabalhadores qualificados recebem, no mínimo, € 3.165,35 para uma jornada de 40 horas semanais.
Os principais setores da economia de Luxemburgo, além dos serviços financeiros, são os serviços administrativos, de tecnologia da informação e comunicação, e os setores de saúde e ação social. A maior parte dos empregados (37,5%) trabalha em grandes empresas com mais de 250 funcionários.
O resultado é uma economia que, embora represente uma fração do PIB europeu, gera uma das maiores rendas médias do mundo.
