A Petrobras afirmou que está trabalhando para reduzir o impacto da alta do petróleo no Brasil e ao mesmo tempo garantir a rentabilidade da empresa.
Em meio a um cenário de guerras e tensões geopolíticas que estão aumentando a volatilidade do mercado internacional de energia, a Petrobras reafirmou seu compromisso em minimizar esses efeitos no país, conforme comunicado enviado à imprensa.
A empresa destacou que tem adotado estratégias comerciais que consideram as melhores condições de refino e logística, o que possibilita a promoção de períodos de estabilidade nos preços e protege a rentabilidade de forma sustentável. Dessa forma, a transmissão das variações internacionais para o mercado brasileiro é reduzida.
“O que nos permite promover períodos de estabilidade nos preços ao mesmo tempo que resguarda a nossa rentabilidade de maneira sustentável. Essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro”, diz o comunicado.
A Petrobras ressaltou que, por questões concorrenciais, não pode antecipar suas decisões, mas reiterou seu compromisso com uma atuação responsável, equilibrada e transparente perante a sociedade brasileira.
Impacto da alta do petróleo
A alta do preço do petróleo provocada pela guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz têm impactado o mercado global, elevando o preço do barril para valores acima de US$ 100. Apesar de uma recente queda, os preços ainda permanecem em patamares elevados em relação ao período pré-conflito.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou uma possível redução da tensão no Oriente Médio, o que contribuiu para a queda dos preços do petróleo. No entanto, novas ameaças ao Irã foram feitas, o que mantém a instabilidade no mercado.
Política de preços da Petrobras
Ticiana Álvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), enfatizou que a Petrobras tem conseguido mitigar os efeitos da alta do petróleo em parte devido ao abandono da política de paridade do preço internacional em 2023. Essa mudança permitiu à empresa considerar fatores internos na definição de preços, o que proporcionou uma margem de manobra.
“A política da Petrobras acompanhava 100% a trajetória dos preços internacionais. Essa política modificou e agora leva em consideração fatores internos, que é essa margem de manobra que a Petrobras tem”, explicou a especialista.
Apesar disso, Ticiana ressaltou que essa ação da Petrobras possui efeitos limitados e temporários, especialmente devido ao fato de o Brasil ser um grande importador de derivados de petróleo e ter refinarias privatizadas, como a Rlam na Bahia.
“A refinaria da Bahia, a Rlam, foi privatizada. Logo, você tem menos mecanismos de segurar o preço dessas refinarias que foram privatizadas do que, por exemplo, a Petrobras tem”, concluiu.
