O MDB nacional e o diretório do Rio de Janeiro decidiram, em uma medida drástica, cancelar a filiação do ex-ator Dado Dolabella. A decisão, oficializada pelo presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, e pelo presidente estadual, Washington Reis, foi celebrada como uma vitória das mulheres do partido, que se mobilizaram contra a presença de um nome historicamente ligado a episódios de violência doméstica.
Em nota oficial, a legenda destacou que a expulsão está alinhada ao histórico do MDB em ampliar a participação feminina e combater o abuso. “Nenhuma mulher merece ser representada por quem trata a violência como espetáculo”, afirmou o comunicado, citando que o partido foi o que mais elegeu mulheres no país na última eleição.
Revolta e discurso surreal
A resposta de Dado Dolabella não demorou, mas veio carregada de um tom que muitos observadores classificaram como desconectado da realidade. Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o ex-ator tentou inverter a narrativa, afirmando que a decisão de deixar a sigla partiu dele por uma suposta divergência de princípios.
Com um semblante sério, Dado alegou que “buscava justiça e responsabilidade nas relações familiares” e disparou contra a ala feminina da legenda:
“Essa decisão foi tomada depois de refletir sobre posições que vêm sendo defendidas dentro do partido, especialmente no âmbito da bancada feminista, que hoje não se alinham com os princípios que orientam a minha atuação pública”, declarou Dolabella.
No vídeo, ele ainda defendeu “direitos iguais entre homens e mulheres” e criticou o que chamou de “polarização nas famílias”, ignorando o fato de que sua saída foi uma imposição da cúpula partidária após pressão interna.
Veja o vídeo de Dado Dolabella:
URL do vídeo
O histórico que o MDB não quis carregar
A resistência à entrada de Dado no MDB foi liderada por mulheres que relembraram o histórico do ex-ator. Dolabella já foi investigado e condenado em casos de violência doméstica, sendo o episódio mais recente envolvendo sua ex-namorada, a modelo Marcela Tomaszewski.
A militância feminina do partido ressaltou a gravidade do cenário atual no Brasil. Apenas em 2025, o “Ligue 180” registrou mais de 86 mil denúncias de violência contra a mulher.
Uma liderança do MDB Mulher classificou a filiação inicial como um “estarrecimento”: “Recebi com repúdio a notícia da filiação de um homem agressor de mulheres. Depõe contra tudo o que milito sendo uma mulher preta, mãe e avó. Em pleno mês de março, receber esse tipo de notícia revolta”, afirmou a nota do braço feminino da sigla.
Com a desfiliação confirmada, o MDB tenta estancar o desgaste de imagem em um ano em que o combate ao feminicídio segue no topo da agenda pública.
